O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, declarou esta terça-feira que as conversações lideradas pelos Estados Unidos com vista a um cessar-fogo e a um acordo de paz duradouro na Ucrânia “não são fáceis”, sobretudo tendo em conta a intensificação dos ataques russos contra civis.
“Estas discussões não são fáceis, sobretudo na sequência desta violência horrível. Mas todos apoiamos o esforço do presidente Trump para alcançar a paz”, afirmou Rutte, durante uma visita não anunciada à cidade portuária ucraniana de Odessa, onde se reuniu com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O líder da NATO condenou o que descreveu como um “padrão terrível” de ataques russos contra a população civil, num momento em que a Rússia intensifica bombardeamentos com mísseis em várias regiões da Ucrânia.
Por seu lado, Zelensky reiterou a necessidade urgente de garantir sistemas de defesa aérea adicionais, sublinhando que as forças russas têm causado elevado número de vítimas civis nos últimos dias.
“Todos reconhecem quão urgente é a necessidade da Ucrânia em termos de sistemas de defesa aérea e mísseis. Falámos muito sobre isso hoje”, sublinhou o chefe de Estado ucraniano, referindo-se ao encontro com Rutte.
Zelensky aproveitou ainda para renovar o apelo à preparação eficaz de um contingente internacional de segurança, composto por tropas estrangeiras, com o objetivo de impedir futuros ataques russos caso seja alcançado um acordo de paz.
“O Reino Unido, a França e outros países da NATO já estão a trabalhar ativamente na criação de condições para esse contingente de segurança. É crucial que sejamos rápidos e eficientes neste processo”, afirmou o presidente ucraniano.
Negociações com os EUA sobre minerais avançam em terreno “positivo”
Durante as declarações prestadas esta terça-feira, Zelensky revelou ainda que as conversações com os Estados Unidos sobre um possível acordo no setor dos minerais e terras raras foram “positivas” e deverão continuar nas próximas semanas. Segundo o líder ucraniano, a reunião teve lugar no dia 11 de abril, após a administração de Donald Trump ter apresentado uma nova proposta no final de março.
Esta iniciativa insere-se num esforço mais amplo de estreitamento das relações económicas e estratégicas entre Washington e Kiev, num momento crítico do conflito e das negociações de paz em curso.
A visita surpresa de Mark Rutte — recém-empossado como secretário-geral da NATO — ocorre num contexto diplomático delicado, em que as negociações lideradas pelos EUA são vistas como uma oportunidade crucial, mas frágil, de alcançar uma solução política para o conflito, que já se prolonga há mais de dois anos.
Apesar do apoio declarado de vários aliados ocidentais, subsistem dúvidas quanto à viabilidade de um cessar-fogo duradouro, especialmente perante os ataques russos contínuos e a relutância de Moscovo em comprometer-se com garantias concretas de retirada ou desmilitarização.
“Esperamos que o trabalho diplomático produza resultados positivos, mesmo que as circunstâncias no terreno sejam extremamente difíceis”, afirmou Rutte, reforçando o apoio da NATO à soberania ucraniana e à integridade territorial do país.




