Um pouco por todo o mundo, a aviação está a ser fortemente afectada pela epidemia e as companhias aéreas low-cost Ryanair e a Easy-Jet já anunciaram diversos cancelamentos, o que vem corroborar as previsões mais recentes que apontam para “um futuro incerto para o sector”.
A Ryanair estima que a sua frota europeia pare, no máximo dentro de dez dias, motivada pelas restrições de viagens implementadas na Europa, em resultado do coronavírus. A companhia aérea referiu ainda que a totalidade da sua frota pode mesmo parar entre Abril e Maio. Para já, a sua capacidade de lotação será reduzida em 80%.
As medidas surgem em consequência das várias restrições de viagens anunciadas na semana passada, devido à propagação do surto de Covid-19. Para além dessas restrições, a companhia aérea afirmou que, devido a «regras sociais de distanciamento», voar pode vir a tornar-se «impraticável, se não mesmo impossível», avança o ‘Independent’.
A companhia aérea revelou estar a «tomar medidas imediatas para reduzir as despesas operacionais», o que inclui parar algumas aeronaves, introduzir licenças voluntárias e suspender temporariamente contratos de trabalho, o que pode significar um grande número de cortes de emprego em toda a sua rede.
«O nosso foco actual é concluir o programa de voos agendado, tanto quanto for permitido pelos governos nacionais, nos próximos sete dias, para que possamos repatriar os clientes, sempre que possível», refere a empresa, acrescentando que foi sentido «um declínio substancial nas reservas nas últimas duas semanas e esperamos que isso continue num futuro próximo. Vamos continuar a monitorizar a procura, bem como as restrições de voo do governo, fazendo mais cortes nos horários, conforme necessário», refere a Ryanair.
Também a easyJet anunciou esta segunda-feira novos cancelamentos em consequência da redução na procura de viagens, contudo sem especificar quais os voos afectados, segundo a agência LUSA.
Num comunicado, a empresa explica que «esta tomada de posição reflecte a estratégia da companhia que poderá implicar, no limite, a não utilização da maioria da frota easyJet».
A empresa garante, contudo, que vai continuar a fazer os voos de repatriamento para que os cidadãos possam regressar aos seus países. «Para ajudar a mitigar o impacto do COVID-19, estão a ser tomadas todas as medidas para diminuir custos e despesas não vitais para o negócio. A não utilização dos aviões fará baixar significativamente os custos variáveis», pode ler-se na comunicação.
Na nota, o CEO da empresa, Johan Lundgren, sublinha que a companhia «está a fazer tudo o que está ao alcance para enfrentar os desafios do COVID-19. Continuamos a operar voos de resgate e repatriamento, onde pudermos, para levar todos para casa, para que possam estar com a família e os amigos nestes tempos difíceis», sublinha.
Ambas as companhias referem que apesar das dificuldades enfrentadas, apresentam uma situação financeira estável, até ao momento. A Ryanair apresenta uma liquidez, equivalente a mais de quatro mil milhões de euros, já a easyJet tem um saldo positivo de mais de 1,7 mil milhões de euros.














