Negociações por acordo nuclear entre EUA e Irão arrancam este sábado em Omã

Ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, vai representar o Irão e, do outro lado da mesa, estará o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff

Executive Digest

Omã, nos Emirados Árabes Unidos, vai receber este sábado conversações entre Estados Unidos e Irão sobre o acordo nuclear. Ao contrário do que havia apontado Donald Trump, Teerão garantiu que as negociações nucleares com os EUA serão “indiretas”, ou seja, que as duas delegações não estarão fisicamente na mesma sala, que serão representados por mediadores.

O presidente dos EUA tinha anunciado na passada segunda-feira que as negociações seriam “diretas”, o que não sucede há mais de uma década. O regime de Teerão diz que se trata de “pressão psicológica” por parte de Trump, que nas últimas semanas reforçou a presença militar americana na região e ameaçou que o Irão “corre um grande perigo” se não aceitar eliminar o seu programa nuclear

O Irão declarou que está a dar “uma verdadeira oportunidade à diplomacia”, com as conversações deste sábado sobre o programa nuclear iraniano, em Omã, com os Estados Unidos, que devem valorizar a decisão.

“Com seriedade e franca vigilância, estamos a dar uma verdadeira oportunidade à diplomacia”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano Ismail Baghaei, na rede social X.

O diplomata afirmou que Washington deve valorizar esta decisão que Teerão está a tomar, apesar da atitude “de confronto” dos Estados Unidos.

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O presidente americano Donald Trump tem ameaçado bombardear o país persa se um acordo nuclear não for alcançado.

“Não fazemos juízos prévios… não fazemos previsões… tencionamos avaliar a intenção e a determinação da outra parte este sábado. Vamos refletir e responder em conformidade”, notou Baghaei.

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, vai representar o Irão e, do outro lado da mesa, estará o enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, Steve Witkoff.

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Trump, que regressou ao poder em janeiro e está empenhado numa política de “pressão máxima” sobre a República Islâmica, apelou para a abertura das negociações com Teerão sobre o programa nuclear iraniano e ameaçou bombardear o país se não for alcançado um acordo.

Durante o primeiro mandato (2017-2021), Trump retirou os EUA de um acordo assinado em 2015 entre o Irão e outras potências, que estabelecia limites rigorosos às atividades nucleares de Teerão, em troca de um alívio das sanções económicas.

Desde então, o Irão tem vindo a enriquecer urânio muito acima do que era permitido ao abrigo do extinto acordo e já tem 274 quilogramas enriquecidos a 60% de pureza, perto do valor de 90% necessário para uso militar, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atómica.

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