“Sines é a refinaria mais jovem da Europa, e queremos fechá-la para entregar a África?”: Co-CEO da Galp define caminhos para a competitividade

Maria João Carioca Co-CEO e CFO da Galp fez uma apresentação sobre o tema “O contributo da energia para a competitividade europeia”, onde sublinhou a importância de “sermos capaz de entender com pragmatismo e realismo o Plano Draghi e como trazemos esses pressupostos e realidades para a nossa capacidade em Portugal e interesse estratégico”.

Pedro Gonçalves

Maria João Carioca Co-CEO e CFO da Galp fez uma apresentação sobre o tema “O contributo da energia para a competitividade europeia”, onde sublinhou a importância de “sermos capaz de entender com pragmatismo e realismo o Plano Draghi e como trazemos esses pressupostos e realidades para a nossa capacidade em Portugal e interesse estratégico”.

“A primeira nota não pode deixar de ressaltar o diagnóstico feito no Plano Draghi do peso que a energia assume, que é notável. os primeiros desafios são de contexto e logo de seguida vem o fator energético”, começou por indicar a responsável na intervenção.

O plano que dá mote á conferência, recordou Maria João Crioca, veio lembrar “que a europa perdeu um ano inteiro de produto a tentar corrigir e compensar os erros da estratégia que enveredou em termos de energia, nomeadamente pela dependência do gás que a Alemanha se deixou enveredar”. “Essa incapacidade de perceber a articulação da dependência da Rússia em mudança de contexto tem uma tradução económica, e vai além da geopolítica mundial, vai às nossas empresas”, avisou sobre os efeitos.

A oradora sublinhou os ‘handicaps’ e desafios energéticos que a Europa enfrenta, perante os blocos concorrentes: gás 3 a 5 vezes mais caro do que o que pagam as empresa norte-americana e eletricidade duas a três vezes mais cara são apontados como fatores contribuintes para o gap de crescimento entre europa e EUA”.

“O plano é interessante porque é transparente e cândido quanto a alguns aspetos que têm produzido esta nossa dependência e incapacidade de adotar uma estratégia energética que seja motor de competitividade: o facto de estarmos com algumas fragilidades que temos também na infraestrutura. Temos capacidade na europa de pensar infraestrutura, mas ainda assim temos insuficiências, que condicionam formas de energia entrar na Europa, mais barata e mais competitiva”, exemplificou na intervenção a Co-CEO e CFO da Galp.

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Maria João Carioca continuou: “Mais pragmático que isso é o reconhecimento de quão incontornável é o facto de, tendo objetivos de descarbonização, isso hoje em dia traduz em si mesmo uma realidade económica para as empresas diferente das de outros países. É o momento de olhar com frieza para custos de independência estratégica, descarbonização e conter os impactos de um perfil energético poluente. Esta cidadania que a Europa escolheu assumir, tem um peso económico que se está a traduzir”, clarificou.

O que há pela frente? “O plano Draghi continua com pragmatismo e aborda três aspetos”, que podem ser aplicados à Galp. “Descarbonizar o setor energético de forma economicamente viável, capturar oportunidades industriais da transição verde e garantir condições equitativas para setores mais desafiantes”.

“Sines é refinaria mais jovem da europa, queremos fechá-la para entregar a África? Não é claro o que a natureza e a Europa ganham com isso!”, alertou sobre o caso específico, referindo que a exploração do lítio como oportunidade nacional apresenta uma dificuldade “que é estarmos a par da tecnologia”.

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“Se quisermos insistir na cidadania mundial da descarbonização temos que ter em atenção as industrias pesadas em termos energético, e temos de garantir que têm condições de transição equitativas, para não matar ou contribuir para a morte de setores que têm contribuído para crescimento da Europa”, explicou Maria João Carioca.

Para a Co-CEO da Galp, a energia solar e eólica é “o caminho a fazer nos próximos anos”, com Portugal a conseguir produzir energias renováveis a baixo custo, menos 20% do que a média europeia. Os recursos naturais, a localização geográfica, que coloca o nosso País com capacidade para servir de hub logístico entre Europa, África e Américas , são alguns dos ativos portugueses destacados e que podem contribuir para a Europa ‘descolar’.

E como está a Galp a contribuir para estes fatores? “Com pragmatismo, na transformação industrial, mobilidade elétrica e expansão das emergias renováveis”, indicou Maria João Carioca, exemplificando, para cada um dos ‘ramos’ o investimento de 650 milhões de euros, 5,5 mil pontos de carregamento de veículos elétricos, 1.5GW de capacidade integrada de renováveis e 5MW de storage.

Há ainda condições para desbloquear a competitividade energética na europa, como simplificação da regulação, definição de metas e condições equitativas. “É necessário um level playing field entre Estados Membros e União Europeia”, resumiu a Co-CEO e CFO da Galp.

A XXVIII Conferência Executive Digest conta com o apoio da Caixa Geral de Depósitos, Capgemini, Delta Q, Fidelidade, Galp, Lusíadas Saúde, Randstad, MC Sonae, Unilever, Vodafone, e ainda com a parceria da Capital MC, Neurónio Criativo, Sapo. A Sociedade Ponto Verde é o Parceiro de Sustentabilidade do evento.

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