Por Vasco Magalhães, Diretor-Geral da MELOM e Querido Mudei a Casa Obras
A reabilitação urbana tem sido um dos motores da transformação das cidades portuguesas nos últimos anos. No entanto, existe um desafio estrutural que começa a tornar-se cada vez mais evidente no setor da construção: a escassez de mão de obra qualificada.
Trata-se de um problema silencioso, mas com impacto direto na capacidade de execução das obras. A reabilitação exige competências técnicas específicas, desde pedreiros e carpinteiros a eletricistas, canalizadores e técnicos especializados em diferentes áreas da construção. São profissões que dependem de experiência prática, conhecimento acumulado e capacidade de adaptação a contextos muitas vezes complexos, sobretudo quando se intervém em edifícios antigos.
Grande parte destes profissionais pertence hoje a gerações mais envelhecidas, enquanto a entrada de novos trabalhadores no setor tem sido insuficiente para compensar essa saída progressiva. Durante décadas, a construção deixou de ser vista como uma carreira atrativa para muitos jovens, o que criou um desequilíbrio entre procura e disponibilidade de profissionais qualificados.
Esta realidade começa a refletir-se na produtividade do setor. Menos equipas disponíveis significam prazos de obra mais longos, maior dificuldade em responder ao volume de projetos e uma pressão crescente sobre empresas que procuram manter níveis de qualidade e cumprimento de prazos.
Perante este cenário, torna-se essencial investir na valorização das profissões da construção. A formação técnica, a ligação entre empresas e escolas profissionais e a criação de percursos de carreira mais claros são passos fundamentais para renovar o setor.
Ao mesmo tempo, a integração de profissionais estrangeiros tem ajudado a mitigar esta escassez, mas exige processos de qualificação e integração bem estruturados para garantir padrões de qualidade e segurança.
A reabilitação urbana continuará a desempenhar um papel central no desenvolvimento das cidades. No entanto, sem profissionais qualificados suficientes para executar os projetos, o crescimento do setor poderá enfrentar limitações significativas nos próximos anos.
Mais do que um desafio conjuntural, a falta de mão de obra qualificada tornou-se uma questão estratégica para o futuro da construção e da reabilitação em Portugal.



