Legislativas: Miguel Pinto Luz reforça o ‘Não é não’ da AD ao Chega

Quanto ao novo programa eleitoral, Pinto Luz garantiu que não será uma mera repetição do anterior, mas incorporará os aprendizados do último ano. “O programa será ainda mais robusto”, assegurou.

Revista de Imprensa

A menos de dois meses das eleições legislativas, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Pinto Luz, concedeu uma entrevista ao jornal Público, na qual abordou temas quentes da campanha eleitoral, a relação da Aliança Democrática (AD) com o Chega e o impacto da atual crise política.

Questionado sobre se o Ministério Público deveria divulgar os resultados da investigação ao primeiro-ministro antes das eleições, Pinto Luz reiterou a necessidade de separação de poderes. “A justiça fará aquilo que entender, no timing que entender, utilizando os meios que entender para chegar à verdade”, afirmou. Apesar disso, rejeitou que esta situação constitua uma sombra para a campanha, considerando que tem sido uma oportunidade para demonstrar “o carácter e a fibra” de Luís Montenegro.

Sobre a crise política que levou às eleições antecipadas, o governante refutou qualquer ideia de taticismo. “O Governo não procurou a crise, não quis a crise. Uma crise é sempre má para os países”, sublinhou.

Quanto ao novo programa eleitoral, Pinto Luz garantiu que não será uma mera repetição do anterior, mas incorporará os aprendizados do último ano. “O programa será ainda mais robusto”, assegurou, acrescentando que a experiência de governação permitiu identificar “incoerências, faltas de capacidade gestionária e indecisões dentro da máquina do Estado” que podem ser corrigidas.

Um dos momentos mais marcantes da entrevista foi a reafirmação categórica da recusa de aliança com o Chega. “O ‘não é não’ mantém-se. O primeiro-ministro já foi claro e manteve essa clareza”, afirmou. Pinto Luz criticou a “postura truculenta e arruaceira” do partido liderado por André Ventura, argumentando que os portugueses não se identificam com esse estilo de política.

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Confrontado com declarações passadas em que considerava “possível” uma coligação com o Chega, reconheceu que mudou de opinião. “O Chega e André Ventura de há cinco anos não são aqueles que temos agora. Hoje, a avaliação que faço é que o caminho do Governo é o mais certo”, declarou.

Pinto Luz reforçou que a decisão de governar sem o apoio do Chega foi validada pelos eleitores. “O ‘não é não’ teve ganho de causa no último ano. Ficou claro que esse era o caminho correto e que Luís Montenegro é um homem de palavra”, afirmou.

O ministro respondeu ainda às críticas do líder socialista Pedro Nuno Santos, que afirmou que os avanços reclamados pelo Governo resultam de medidas já iniciadas pelo executivo anterior. Pinto Luz rejeitou essa leitura, classificando-a como “delirante”.

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“Há um ano, tínhamos militares a ameaçar sair à rua, mais de 250 mil portugueses que necessitavam de segundo emprego para subsistir e uma imigração absolutamente desregulada. Era um país com políticas de habitação suborçamentadas”, enumerou. O governante destacou ainda que a AD aumentou a dotação orçamental para a habitação, de 16 mil para 59 mil fogos.

Sobre a possibilidade de o Governo pedir maioria absoluta, Pinto Luz foi cauteloso. “O Governo não tem de pedir nada. Tem de mostrar aquilo que fez e aquilo que se propõe fazer. Depois, o eleitorado dará as condições de governabilidade que entender”, disse. “Não vamos pedir nem maiorias absolutas, nem deixar de pedir maiorias absolutas. Vamos pedir a confiança dos portugueses para governar durante quatro anos.”

Com as eleições legislativas a aproximarem-se, a posição do Governo e da AD em relação a alianças e estratégias políticas promete continuar a ser um dos temas centrais do debate público.

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