A petição pública contra o abate de jacarandás na Avenida 5 de Outubro, em Lisboa, tem vindo a ganhar um forte apoio entre os cidadãos, tendo já recolhido mais de 49 mil assinaturas até às 12h00 de hoje. O projeto urbanístico que prevê a remoção de várias árvores na zona de Entrecampos, para dar lugar a um novo parque de estacionamento subterrâneo, tem gerado um intenso debate e indignação entre os lisboetas, que exigem maior transparência e esclarecimentos da Câmara Municipal de Lisboa (CML), que afirma que os irá prestar em sessões para o efeito, a ocorrerem a partir de amanhã.
A petição, dirigida à Assembleia Municipal de Lisboa, acusa a CML de falta de comunicação e clareza sobre as razões por trás do abate dos jacarandás, que são vistos como um símbolo da cidade e desempenham funções ambientais essenciais, como a redução da poluição e a melhoria da qualidade do ar. O movimento de contestação continua a crescer, e a expectativa é que o número de assinaturas aumente ainda mais nos próximos dias.
Câmara de Lisboa defende que o abate é inevitável
A Câmara Municipal de Lisboa, por sua vez, tem defendido que o abate das árvores é uma medida inevitável, dada a necessidade de realizar um projeto de requalificação da área, que inclui a construção de um estacionamento subterrâneo. Joana Almeida, vereadora com o pelouro do Urbanismo, afirmou que o projeto foi aprovado anteriormente e que, embora o contrato já tenha sido assinado, o atual executivo fez esforços para reduzir o número de jacarandás a ser retirados.
De acordo com a autarquia, dos 75 jacarandás existentes no eixo da Avenida 5 de Outubro, 30 serão mantidos, 20 serão transplantados e 25, que se encontram em mau estado, serão abatidos. Em resposta à contestação, a CML chegou a um acordo com o promotor do projeto, a Fidelidade Property, para o plantio de 39 novos jacarandás na cidade até 2027, no intuito de reforçar a presença desta espécie emblemática na capital.
“Aquilo que nós fizemos foi com base nas decisões anteriores. Mudámos no sentido de salvar o máximo de jacarandás possível”, afirmou Joana Almeida, citada pela “Renascença”. A vereadora sublinhou ainda que o projeto visa melhorar a Avenida 5 de Outubro, com a ampliação dos passeios e a plantação de outras espécies de árvores, como pereiras, além de garantir que a imagem da avenida não será alterada, mesmo com a remoção de algumas árvores.
Polémica sobre a comunicação e a falta de esclarecimentos
Apesar das explicações da autarquia, a forma como a decisão foi comunicada à população tem gerado forte descontentamento. Moradores da Avenida 5 de Outubro denunciam que a Câmara limitou-se a afixar mensagens improvisadas em algumas das árvores, com um comunicado simples e mal apresentado, o que foi interpretado como uma falta de respeito pelos cidadãos. Os moradores também criticam a escassa informação fornecida sobre os motivos do abate e a falta de clareza quanto ao impacto ambiental da medida.
Para tentar responder à crescente contestação, a Câmara Municipal de Lisboa anunciou que irá realizar duas sessões públicas de esclarecimento, abertas à população. Estas sessões ocorrerão no Centro de Informação Urbana de Lisboa, com a primeira marcada para esta sexta-feira, 28 de março, às 18 horas, e a segunda na próxima quarta-feira, 2 de abril, às 17h30. Joana Almeida garantiu que estas apresentações serão uma oportunidade para “abrir portas, informar e esclarecer dúvidas” sobre o projeto.
Petição ganha força: mais de 49 mil assinaturas
O movimento contra o abate dos jacarandás tem vindo a crescer de forma exponencial, com a petição a ultrapassar já as 49 mil assinaturas a meio do dia de hoje. A petição é assinada não só por moradores da Avenida 5 de Outubro, mas também por cidadãos que, embora não vivam na zona, se preocupam com o impacto ambiental e a perda de um património tão simbólico para a cidade. Os signatários da petição exigem respostas a várias questões, como a razão pela qual o abate é necessário para a construção do estacionamento subterrâneo, e por que motivo não será possível transplantar todas as árvores, incluindo aquelas em melhor estado.
A petição também questiona a escolha de substituir os jacarandás abatidos por árvores de outra espécie e pede esclarecimentos sobre o impacto ambiental desta decisão. Além disso, os cidadãos exigem explicações sobre a degradação das árvores e se a CML tomou as medidas necessárias para garantir a sua saúde e manutenção antes de decidir pelo abate.
A importância dos jacarandás para Lisboa
Os jacarandás, além de serem um dos marcos naturais mais conhecidos da cidade, desempenham um papel crucial na melhoria da qualidade de vida dos lisboetas. Estes árvores, que florescem com um característico tom roxo durante a primavera, são essenciais para a qualidade do ar na cidade, principalmente na zona de Entrecampos, que apresenta alguns dos piores níveis de poluição atmosférica em Lisboa. Os jacarandás ajudam a reduzir as concentrações de CO2 no ambiente e a mitigar os efeitos das altas temperaturas urbanas.
A petição também ressalta que a substituição de árvores adultas por espécies mais jovens e diferentes pode comprometer não apenas a identidade da cidade, mas também a sua capacidade de se adaptar às alterações climáticas e de proteger a saúde dos seus cidadãos.
O futuro da Avenida 5 de Outubro e o papel das árvores na cidade
A polémica sobre o abate dos jacarandás na Avenida 5 de Outubro levanta questões sobre as prioridades da Câmara Municipal de Lisboa no que diz respeito ao futuro da cidade. A construção de mais infraestruturas para o automóvel, como o estacionamento subterrâneo, é vista por muitos como uma solução que vai contra a necessidade de mais espaços verdes e de uma Lisboa mais sustentável.
A pressão sobre a autarquia continua a aumentar à medida que o número de assinaturas da petição cresce e as questões levantadas pelos cidadãos não são devidamente esclarecidas. A cidade enfrenta um dilema entre o desenvolvimento urbanístico e a preservação do seu património natural, e os próximos passos da Câmara de Lisboa serão decisivos para determinar o futuro da Avenida 5 de Outubro e dos jacarandás na capital.
As sessões de esclarecimento prometidas pela CML, que ocorrerão nos próximos dias, são agora aguardadas com grande expectativa, na esperança de que a autarquia apresente respostas claras e satisfatórias às perguntas dos cidadãos e se comprometa a tomar decisões que favoreçam tanto o desenvolvimento urbano como a sustentabilidade ambiental.













