Alunos prometem continuar a lutar até ninguém ser impedido de estudar

Principal bandeira da luta dos estudantes continua a ser “pôr fim aos custos de acesso e frequência no ensino superior”, resumiu Guilherme Vaz, presidente da direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

Executive Digest com Lusa

Mais de mil estudantes de todo o país manifestaram-se hoje em Lisboa para pedir mais financiamento para o ensino superior e garantiram que irão continuar a lutar para que ninguém seja impedido de estudar.

A manifestação nacional juntou estudantes de instituições de ensino superior de várias zonas do país e durante duas horas percorreu várias ruas da capital, entre o Rossio e a Assembleia a República, num protesto por uma causa comum: a necessidade de reforçar as verbas para o ensino superior para que não sejam obrigados a abandonar os estudos por questões financeiras ou de saúde.

A principal bandeira da luta dos estudantes continua a ser “pôr fim aos custos de acesso e frequência no ensino superior”, resumiu Guilherme Vaz, presidente da direção da Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, outra das entidades responsáveis pela manifestação de hoje.

Guilherme Vaz lembrou que cada vez mais jovens abandonam o ensino superior assim como continua a crescer a taxa de alunos com problemas de saúde mental, “que já é de 48%”. O estudante apontou o aumento do custo dos quartos, as propinas e a falta de psicólogos como alguns dos motivos para a revolta dos que hoje participaram “numa das maiores manifestações dos últimos anos”.

Entre eles estava José da Luz, aluno de arqueologia da Universidade de Coimbra, que viajou até Lisboa e carregou um caixão de papelão até ao largo da Assembleia da República: “O caixão representa a morte do ensino superior em Portugal provocada pelas decisões políticas dos sucessivos governos”.

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Já Joana Rodrigues imaginou uma caixa multibanco gigante avariada que também hoje se passeou pelas ruas da capital. A estudante da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha contou à Lusa histórias de “amigos que por vezes têm de escolher entre comer uma refeição ou comprar material”.

O fim das propinas, à semelhança do que acontece no ensino básico e secundário, mais e melhores residências públicas, assim como mais bolsas de estudo são algumas das reivindicações que se voltaram a ouvir hoje, Dia Nacional do Estudante.

Na caminhada até ao parlamento, Guilherme Vaz disse à Lusa esperar que o Governo ouça os jovens que gritaram palavras de ordem como “Não Recuamos! Gratuidade Já!” ou “A propina é para acabar não é para aumentar”.

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Quem esteve presente hoje na manifestação foram representantes do Bloco de Esquerda e do PCP, que prometeram continuar a lutar pelas suas reivindicações.

A deputada do Bloco de Esquerda Joana Mortágua saudou a importância da luta estudantil e defendeu que “Luis Montenegro está errado quando diz que o país está ótimo”: “Os estudantes estão aqui a dizer que o país não está otimo, porque há estudantes que não conseguem estar no ensino superior porque não conseguem pagar as propinas” ou o alojamento. A deputada alertou ainda que há famílias que “custa cada vez mais ter um filho a estudar no ensino superior”, prometendo que o BE vai continuar “todos os anos a trazer ao parlamento e ao país a proposta de acabar com as propinas no país”.

Também presente na manifestação nacional, o líder do PCP Paulo Raimundo defendeu a necessidade de travar o aumento dos custos para estudar, garantindo “estar a lutar para que os problemas dos estudantes mais facilmente se resolvam”.

“Nem congelada nem derretida, queremos o fim da propina!” é uma das mensagens dos estudantes de artes das Caldas da Rainha, que gritaram palavras de ordem e empunharam cravos vermelhos.

“Exigimos um ensino superior em que ninguém fique impedido de estudar por questões financeiras”, apelou o presidente da Associação de Estudantes da Universidade de Coimbra, Carlos Magalhães, num discurso feito num palanque montado em frente ao parlamento.

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O protesto foi organizado por várias associações de estudantes de artes das Caldas da Rainha, Porto e Lisboa, assim como associações de estudantes de outras áreas de estudo.

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