Dourados, retratos e luxo: Como Trump está a transformar a Sala Oval à sua imagem “para um rei”

A transformação inclui uma profusão de elementos dourados, um aumento exponencial do número de quadros e novos detalhes inspirados no seu estilo característico, já conhecido das suas propriedades privadas, como Mar-a-Lago, na Florida.

Pedro Gonçalves

Desde o regresso à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump tem implementado mudanças significativas na Sala Oval, alterando radicalmente a decoração do seu principal espaço de trabalho. A transformação inclui uma profusão de elementos dourados, um aumento exponencial do número de quadros e novos detalhes inspirados no seu estilo característico, já conhecido das suas propriedades privadas, como Mar-a-Lago, na Florida.

Nas últimas oito semanas, o gabinete presidencial sofreu uma renovação intensa. O número de quadros nas paredes triplicou, passando de seis, durante a administração de Joe Biden, para cerca de 20, quase todos retratos a óleo de antigos presidentes e figuras históricas norte-americanas. Entre os destaques está um grande retrato de Ronald Reagan, posicionado à esquerda da resolute desk, e uma imponente representação de George Washington por Charles Willson Peale, datada de 1776, que agora domina a parede por cima da lareira.



A ornamentação da sala também reflete o gosto do presidente por elementos luxuosos. Pequenos querubins dourados, enviados de Mar-a-Lago, foram colocados nos frontões das portas, enquanto novas figuras em vermeil e medalhões dourados adornam a lareira. Espelhos rococó e águias douradas nas mesas de apoio complementam o ambiente, criando um espaço que evoca grandiosidade e ostentação.

Fontes próximas da Casa Branca revelaram que Trump chegou a considerar a instalação de um candelabro na Sala Oval, embora esta ideia tenha sido aparentemente descartada.

Planos para o Jardim das Rosas e um novo salão de baile
A redecoração da Sala Oval é apenas uma parte das transformações que Trump pretende implementar na Casa Branca. Dentro de semanas, espera-se que arranquem as obras de renovação no Jardim das Rosas, um espaço originalmente concebido pela primeira-dama Ellen Wilson. O presidente planeia substituir a relva por uma área pavimentada, convertendo-a num pátio ao estilo de Mar-a-Lago.

Trump também manifestou interesse em construir um novo salão de baile no relvado sul da Casa Branca, inspirado no de Mar-a-Lago e no Salão dos Espelhos de Versalhes. Segundo fontes da administração, o presidente tem revisitado os planos e apresentado várias alterações, sugerindo que pagará pessoalmente pela construção. No entanto, ainda não há confirmação sobre se o projeto será autorizado no terreno histórico da Casa Branca.

A decoração da Sala Oval reflete a personalidade e os gostos de Trump, que sempre viu os seus escritórios como espaços de exibição tanto quanto de trabalho. A sua suite na Trump Tower, em Nova Iorque, era notoriamente repleta de fotografias, troféus e capas de revistas emolduradas. Na Casa Branca, embora a resolute desk mantenha alguma organização, o ambiente é marcado por uma abundância de artefactos e memorabilia.

Entre os objetos em destaque, encontra-se uma réplica dourada do troféu do Campeonato do Mundo de Futebol, posicionado numa mesa atrás da secretária presidencial. O presidente também incluiu fotografias pessoais, incluindo uma da sua mãe, e um pisa-papéis dourado com o selo presidencial e o seu nome gravado.

Transformação em curso
Trump tem passado grande parte dos seus dias na Sala Oval, onde recebe líderes estrangeiros, conduz sessões de perguntas e respostas com jornalistas e discute estratégias com a sua equipa. Recentemente, a resolute desk foi enviada para renovação, sendo temporariamente substituída por uma secretária mais pequena.

“Mantém a minha energia imobiliária a fluir”, disse Trump ao The Spectator sobre as renovações, acrescentando que tudo irá ficar “lindo”.

As alterações implementadas por Trump têm gerado reações mistas. Um ex-funcionário da Casa Branca comentou à CNN que “todos os presidentes têm o direito de decorar a Sala Oval”, mas acrescentou que “a decoração de Trump é tão estranhamente não presidencial que se assemelha mais à de um rei”.

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