ONU alerta: Mundo está «fora do caminho» dos objectivos climáticos

Especialistas das Nações Unidas afirmam que é necessária uma acção «urgente e abrangente», para controlar os limites do aquecimento global.

Simone Silva

O mundo está  «redondamente enganado» no cumprimento de objectivos para limitar o aquecimento global, à medida que os sinais de uma emergência climática se tornam cada vez mais prejudiciais, de acordo com um alerta da Organização Meteorológica Mundial (OMM) das Nações Unidas, citado pelo ‘Independent’.

O aumento do calor, a aceleração da subida do nível do mar e o clima extremo verificado em 2019, são indicadores do impacto negativo causado pela falta de contenção das emissões de carbono, pode ler-se no relatório da organização.

A OMM alertou ainda que serão necessárias acções climáticas «urgentes e abrangentes».

O ano passado foi o segundo mais quente já registado, com uma temperatura média global de 1,1 graus celsius acima dos níveis pré-industriais, confirma o relatório. Os anos de 2015 a 2019 foram os cinco mais quentes já registados e a última década foi mesmo a mais quente desde o inicio dos registos, no século XIX.

Cada década desde 1980 tem sido mais quente do que a anterior, tendência que se vai manter em 2020. O mês de Janeiro foi o mais quente já registado no mundo inteiro e a Europa atravessou «de longe» o inverno mais quente até o momento, de acordo com o Serviço de Alterações Climáticas, Copernicus da UE.

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Mas as consequências das alterações climáticas não ficam por aqui: o fenómeno está a facilitar a propagação da doença dengue, com cerca de metade da população mundial em risco de infecção, registando-se um grande aumento de casos em 2019, observou o relatório. A fome mundial também está novamente a aumentar e estima-se que 22 milhões de pessoas no mundo inteiro, tenham sido forçadas a deixar as suas casas devido a inundações e tempestades, acrescentou a OMM.

Perante esta situação extrema, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que: «Actualmente, estamos fora do caminho para cumprir os objectivos (climáticos) que o Acordo de Paris exige», refere citado pelo ‘Independent’.

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