De acordo com o Employee Sentiment Study 2025 da Aon Portugal, 46% dos profissionais em Portugal estão à procura de novas oportunidades de trabalho ou consideram mudar de emprego nos próximos 12 meses.
Este dado coloca o país acima da média global de 60%, revelando um mercado de trabalho altamente volátil e competitivo. O estudo destaca ainda que as organizações portuguesas enfrentam grandes desafios na retenção de talento.
Em entrevista à Executive Digest, Inês Almeida, Advisory Regional Consultant da Aon Portugal, falou sobre o que procuram os profissionais nos dias de hoje e de que forma podem as empresar combater a fuga de talentos.
Quais são os principais fatores que motivam os profissionais a procurar novas oportunidades de emprego em Portugal atualmente?
Além da sensação de desvalorização, muitos colaboradores em Portugal estão preocupados com a segurança financeira. O estudo revela que 52% dos trabalhadores descrevem a sua situação financeira como “tenho apenas o suficiente para sobreviver”. Este fator, juntamente com a falta de benefícios ajustados às suas necessidades, motiva a procura por novas oportunidades. A crescente competição no mercado de Tech e Nearshore também contribui para a dinâmica atual, tornando as propostas de valor mais competitivas e interessantes.
Como é que as empresas estão a lidar com a crescente procura por um equilíbrio entre a carreira e o bem-estar pessoal?
Sentimos que atualmente as empresas estão, cada vez mais, a procurar oferecer programas holísticos de apoio ao bem-estar, como EAPs, benefícios de apoio psicológico, programas de incentivo para um estilo de vida saudável, licenças de maternidade/ paternidade alargadas e dias de férias extra. Estas iniciativas são passos importantes. No entanto, ainda há um caminho a percorrer, especialmente porque muitas empresas em Portugal estão a voltar ao modelo presencial, enquanto a tendência é os colaboradores preferirem modelos híbridos, que têm um impacto positivo no equilíbrio entre a sua vida profissional e pessoal.
Na sua opinião, qual é a maior mudança que as empresas precisam de fazer para se adaptar às novas gerações de trabalhadores?
As empresas precisam de reavaliar as suas estratégias de gestão de talento, focando-se na transparência salarial e na equidade. Além disso, é crucial oferecer benefícios personalizados e investir em formação contínua para desenvolver as competências dos colaboradores. A nova geração valoriza a flexibilidade e a oportunidade de crescimento profissional, o que exige uma abordagem mais adaptável e inclusiva por parte das empresas.
Quais são as melhores formas de incentivar os colaboradores a permanecerem na empresa e a se comprometerem com os seus objetivos a longo prazo?
Incentivar os colaboradores através de pacotes de benefícios mais atrativos e personalizados, como planos de poupança flexíveis e sessões de literacia financeira. A criação de uma cultura de aprendizagem contínua e o investimento em formação acessível também são essenciais. Além disso, a transparência e a equidade salarial são fundamentais para construir um ambiente de confiança e compromisso. É importante que as empresas comuniquem de forma eficaz o valor e a disponibilidade do seu pacote de compensação total, reforçando a marca como empregador.
Como é que a liderança pode influenciar a motivação e o bem-estar dos colaboradores no dia a dia?
A liderança pode influenciar positivamente ao promover uma cultura de valorização e reconhecimento, comunicar de forma transparente sobre práticas de compensação e benefícios, e apoiar ativamente o bem-estar dos colaboradores através de programas específicos e de um ambiente de trabalho saudável e equilibrado. A implementação de horários flexíveis e o apoio à saúde mental são exemplos de como a liderança pode fazer a diferença no dia a dia dos colaboradores.




