Para criar laços autênticos com os outros, é essencial partilhar aspetos da própria vida de forma gradual e recíproca. Esta é a base para relações interpessoais sólidas, defende Ellen Hendriksen, psicóloga clínica no Centro de Perturbações de Ansiedade da Universidade de Boston. Num artigo publicado na CNBC, a especialista explica como uma estratégia simples pode tornar qualquer pessoa mais acessível e simpática em conversa: aproveitar as chamadas “maçanetas conversacionais”.
O que são as “maçanetas conversacionais”?
O conceito foi introduzido pelo psicólogo social Adam Mastroianni, formado em Harvard, e refere-se a elementos numa conversa que podem despertar interesse, gerar perguntas ou criar uma ligação imediata. Segundo Hendriksen, estes elementos podem ser qualquer coisa que leve um interlocutor a pensar “Isto é interessante” ou “Também me acontece”.
A chave para uma conversa envolvente está em identificar e utilizar estas “maçanetas” para manter um diálogo fluido. Por exemplo, numa conversa de rotina:
Pergunta: “Bom dia! Como correu o fim de semana?”
Resposta: “Foi ótimo. O meu companheiro e eu estivemos a trabalhar na casa do meu pai.”
Neste caso, existem várias “maçanetas conversacionais” disponíveis: “companheiro”, “trabalho”, “casa” e “pai”. A partir daqui, é possível continuar a conversa de diferentes formas:
“Interessante! Qual de vocês é mais dado ao ‘faça-você-mesmo’?”
“Que tipo de trabalho fizeram?”
“Também estou a pensar remodelar a minha casa, mas é difícil saber por onde começar.”
“Vê o seu pai com frequência?”
“O meu pai também precisa de algumas renovações em casa. Ele vive lá há 40 anos, pode imaginar como está a cave.”
“O seu pai mora perto ou tiveram de fazer uma viagem longa?”
Independentemente da abordagem escolhida, o objetivo é criar pontos de contacto que mantenham a conversa a fluir naturalmente.
Como introduzir “maçanetas” na própria conversa
Tornar-se uma pessoa mais acessível não implica apenas aproveitar os ganchos na conversa dos outros. Também é importante oferecer informação sobre si próprio para que o outro tenha algo com que trabalhar.
Se um colega perguntar “Como foi o seu fim de semana?”, a resposta pode incluir um detalhe interessante:
“Foi ótimo! Levei os miúdos a um torneio de voleibol. Foram 12 horas seguidas, sem exagero!”
“Fiz o meu pão de abóbora anual.”
“Finalmente terminei um livro de memórias do Steve Martin. Gostei imenso.”
“Joguei Baldur’s Gate 3 até às quatro da manhã”
“Fui ao mercado de agricultores e encontrei umas batatas azuis bem curiosas.”
“Vi um desfile de tocadores de tuba vestidos com tutus enquanto tomava café no sábado.”
Ao partilhar algo pessoal, está a criar oportunidades para que o outro se envolva, permitindo que a conversa se desenrole de forma mais natural.
A pressão para ser interessante pode prejudicar as interações
Nem sempre a outra pessoa vai corresponder com entusiasmo a estas “maçanetas”. Pode simplesmente responder com um “ah” ou um “que giro”. Nesses casos, não há necessidade de insistir — a conversa pode ser retomada mais tarde ou seguir outro rumo.
Segundo Hendriksen, muitas pessoas evitam a interação social por sentirem a pressão de parecerem excecionais ou extremamente interessantes. No entanto, o psicólogo Gus Cooney alerta que esse tipo de padrão elevado pode tornar as pessoas menos acessíveis. “Conversas extraordinárias podem afastar quem não se sente à altura”, afirma.
Para os perfecionistas, baixar a fasquia pode parecer contraintuitivo, mas, na realidade, facilita a inclusão de mais pessoas na conversa e permite construir relações mais autênticas.













