A cor dos olhos de cada pessoa resulta de uma complexa combinação genética e não apenas da herança direta dos progenitores, como se acreditava popularmente. De acordo com a publicação Dotyk, múltiplos fatores genéticos influenciam a tonalidade do olho humano, tornando cada padrão de íris único.
Em Portugal, o tom mais comum é o castanho-avermelhado (avela) com cerca 55% da população a apresentar esta tonalidade, seguido pelos olhos castanhos (29%) e azuis (16%). Os olhos claros são menos frequentes devido à menor densidade de melanina no estroma da íris. Esta mesma característica explica por que razão muitos bebés nascem com olhos mais claros, que tendem a escurecer à medida que são expostos à luz.
Globalmente, mais de metade da população tem olhos castanhos, predominando especialmente em regiões mais quentes de África e da Ásia, onde a maior concentração de melanina na íris confere proteção adicional contra a radiação solar. Estudos psicológicos sugerem que as pessoas com olhos castanhos são frequentemente percecionadas como mais confiáveis em comparação com indivíduos de olhos mais claros.
Riscos de saúde associados a cada cor
A cor dos olhos, além de ser uma característica estética, pode ter implicações na saúde. Investigadores identificaram uma relação entre determinados tons oculares e a predisposição para certas doenças.
Os olhos castanhos, apesar de oferecerem maior proteção contra os raios solares, estão associados a um risco mais elevado de desenvolver cataratas. Esta condição, que ocorre com o envelhecimento, resulta da degeneração das proteínas e fibras do cristalino, levando a uma perda progressiva da visão.
Por outro lado, indivíduos com olhos verdes ou cinzentos apresentam um risco superior de desenvolver melanoma uveal, um tipo raro de cancro ocular. Já as pessoas com olhos azuis têm maior probabilidade de desenvolver diabetes tipo 1 e problemas auditivos. Estudos indicam ainda que aqueles com olhos azuis e ascendência europeia possuem maior vulnerabilidade a comportamentos aditivos, incluindo o alcoolismo.
Além disso, algumas pesquisas apontam que tons oculares mais escuros podem estar associados a um limiar de dor mais baixo, o que significa que estas pessoas podem ser mais sensíveis a estímulos dolorosos.
O impacto do vitiligo e outras condições
O vitiligo, uma doença autoimune que causa perda de pigmentação na pele, também parece estar relacionado com a cor dos olhos. Indivíduos com olhos mais claros apresentam uma maior predisposição para desenvolver esta condição. No entanto, este fator isolado não é determinante, uma vez que a doença resulta de uma interação complexa entre genética e ambiente.
Os avanços científicos continuam a aprofundar a relação entre genética, características físicas e saúde. Embora a cor dos olhos possa indicar uma maior propensão para certas doenças, fatores ambientais e hábitos de vida continuam a desempenhar um papel crucial na saúde geral de cada indivíduo.














