Cerca de 4,3 milhões de refugiados ucranianos residem na União Europeia com proteção temporária

Este mecanismo, ativado pela primeira vez para responder ao êxodo provocado pelo conflito, foi prorrogado até, pelo menos, março de 2026, segundo os dados mais recentes divulgados pela agência europeia de estatística, Eurostat.

Pedro Gonçalves

Desde o início da invasão russa à Ucrânia, cerca de 4,3 milhões de refugiados ucranianos encontraram acolhimento na União Europeia (UE) ao abrigo do estatuto de proteção temporária. Este mecanismo, ativado pela primeira vez para responder ao êxodo provocado pelo conflito, foi prorrogado até, pelo menos, março de 2026, segundo os dados mais recentes divulgados pela agência europeia de estatística, Eurostat.

Entre os Estados-membros da UE, a Alemanha é o país que acolhe o maior número de refugiados ucranianos, com 1,2 milhões de pessoas, representando 27,3% do total. Segue-se a Polónia, onde 993.000 deslocados (23,2%) receberam proteção temporária, e a República Checa, que alberga 395.000 refugiados (9,2%). Em Espanha, foram registadas 229.665 entradas de cidadãos ucranianos desde fevereiro de 2022, altura em que a Rússia iniciou a invasão do país vizinho.



O regime de proteção temporária, criado inicialmente para responder aos conflitos nos Balcãs, mas nunca antes ativado até à guerra na Ucrânia, permite que os refugiados circulem livremente dentro da UE em busca de acolhimento. Além disso, este mecanismo assegura o direito de residência e acesso ao mercado de trabalho, permitindo a estas populações um nível de estabilidade fundamental para a sua integração.

Perfil dos refugiados sob proteção temporária
Segundo a Eurostat, 98,4% das pessoas abrangidas por este estatuto possuem nacionalidade ucraniana. A distribuição demográfica revela ainda que a maioria dos refugiados são mulheres (44,8%), enquanto as crianças representam cerca de um terço do total (31,8%).

Para cidadãos de outras nacionalidades que se encontravam na Ucrânia antes do início da guerra, o tratamento difere. O estatuto de proteção temporária é atribuído automaticamente apenas a cidadãos ucranianos, apátridas e indivíduos que já tinham proteção internacional como refugiados antes do conflito. No entanto, os Estados-membros podem decidir alargar esta proteção a outros grupos, como residentes de longa duração e estudantes estrangeiros.

Face à continuação da guerra e à incerteza quanto ao seu desfecho, a UE decidiu prorrogar a proteção temporária até março de 2026, garantindo que milhões de refugiados ucranianos possam continuar a viver e trabalhar nos países de acolhimento. Esta medida reflete o compromisso europeu em dar resposta ao maior fluxo de deslocados no continente desde a Segunda Guerra Mundial.

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