Donald Trump ‘revolucionou’ o mundo em apenas 50 dias na Casa Branca: rasgou regras e contratos, atacou aliados e ficou ao lado de inimigos. A ‘Sky News’ esteve em vários pontos do mundo para perguntar o que tem significado para a vida de milhões de pessoas as decisões do presidente americano – desde as ruas sufocantes em África até aos desertos gelados da Gronelândia, passando pela fronteira entre a Finlândia e Rússia.
Os apoiantes de Trump têm-no visto como o principal disruptor que trará paz e prosperidade, com os EUA em primeiro lugar. Mas, para muitos, ameaça o caos e um futuro mais sombrio – de acordo com os críticos, Trump tem-se mexido muito rápido e erraticamente. Os seus primeiros 50 dias na Casa Branca enfraqueceram o lugar dos EUA no mundo e isso será explorado pelos rivais.
Quénia: risco de ressurgimento de epidemias
No Quénia, o fim da ajuda americana tem feito as manchetes: na linha da frente da guerra em África contra o HIV, as ações de Trump são comparadas a um ato “de guerra biológica”. Mesmo entre aliados e apoiantes do presidente americano, há um profundo mal-estar e medo sobre o futuro, principalmente o risco de epidemias ressurgentes de doenças como HIV, tuberculose, malária, Ébola e poliomielite.
O país africano recebeu 850 milhões de dólares em ajuda por ano, apoio que foi abruptamente cortado: uma decisão do Supremo Tribunal dos EUA contra a Administração Trump pode restaurar parte do apoio, mas há uma total incerteza sobre o que acontecerá a seguir. “Não tivemos qualquer aviso, não conseguimos preparar as famílias. Foi muito repentino”, salientou Martha, responsável de saúde em Nairobi. “Esperamos mais mortes. Esperamos que mais crianças morram antes dos cinco anos. Esperamos mais mortes de crianças que vivem com HIV”, salientou, acrescentando que mais de 20 mil crianças que usam os serviços da sua organização serão afetadas.
A Administração Trump diz que a ajuda foi suspensa por apenas 90 dias, aguardando uma revisão. Mas, na realidade, muitos programas importantes parecem ter sido encerrados completamente.
A ‘munição’ fornecida pelos EUA para a guerra em África contra o HIV, malária, tuberculose e outras doenças está a acabar. Levou décadas e milhares de milhões para as controlar. O medo é de um regresso a epidemias não vistas há anos. “Quando se olha do ponto de vista da saúde pública, isso é uma guerra biológica. É assim que eu vejo, porque, da perspetiva dos direitos humanos, ele fez a coisa errada. Ele não deveria ter agido tão abruptamente”, acusou Eric Okioma, administrador de uma instituição de caridade.
Finlândia prepara-se para agressão russa
Um dos mais novos países membros da NATO, que faz a fronteira com a Rússia, a ação de Trump na aliança militar tem deixado a população local em sobressalto. Nas florestas escassamente povoadas, os moradores locais têm relatado avistamentos de drones russos. E houve um aumento de recrutas para a guarda de fronteira por causa da situação internacional.
Um deles, Aku Jaeske, garantiu que se alistou “para a defesa do nosso próprio país”. “Acho que a maioria de nós está aqui por causa disso. É muito difícil se temos uma fronteira de pouco mais de 1.300 quilómetros com a Rússia”. As ações do presidente americano são “uma loucura”. “Quando se liga a TV hoje em dia, não se consegue saber o que realmente está a acontecer.”
A guerra com a Ucrânia e a beligerância da Rússia desencadearam uma corrida ao tiro: abriram centenas de campos de tiro na Finlândia para atender à procura. Os finlandeses já foram sinónimo de neutralidade amante da paz: agora armam-se e observam as propostas de Trump ao Kremlin com cautela.
Os finlandeses sabem, pela sua história, que não se pode confiar numa Rússia beligerante.
Na Europa, os EUA não estão apenas a retirar-se sob Donald Trump, que diz que os EUA não podem mais priorizar a segurança do continente. Parece que podem estar a mudar de lado, abandonando o Ocidente completamente: cortando ajuda e inteligência para a Ucrânia; rotulando o líder da Ucrânia como um ditador; atacar aliados próximos com tarifas; redefinindo relações com a Rússia enquanto ela continua a invadir uma parte da Europa.
Gronelândia diz “Trump é ridículo”
Donald Trump não esconde a cobiça pela Gronelândia e os habitantes locais estão genuinamente preocupadas. As estudantes Aviana e Julie disseram que as palhaçadas de Trump eram alarmantes. “Isso é muito assustador, na verdade – parece que está mais com a Rússia do que com a Ucrânia. Estou realmente assustado.” “Acho ridículo que ele pense que pode simplesmente tomar a nossa terra. Não temos recursos para lutar contra os EUA”, apontou outro habitante local, à ‘Sky News’.
Jurgen Boassen tornou-se uma figura conhecida por ser abertamente pró-Trump. “Acho que ele é um grande homem que quer paz no mundo”, disse, admitindo que é pago por grupos MAGA na América para promover “laços culturais” e acredita que a Gronelândia gradualmente aceitará a ideia de se tornar mais próxima da América. “Não me importo porque eles vão perceber que estou a fazer algo bom para a Gronelândia. A Europa está a falhar, Grã-Bretanha, Suécia, Bélgica, Países Baixos, até mesmo a Alemanha.”




