Cimeira extraordinária do Conselho Europeu decorre hoje com foco na Ucrânia e na defesa europeia

O encontro surge num momento geopolítico crítico, com a guerra na Ucrânia a entrar no seu quarto ano e negociações preliminares entre os Estados Unidos e a Rússia a avançarem sem a participação da UE nem da própria Ucrânia.

Pedro Gonçalves

Os líderes da União Europeia (UE) reúnem-se hoje, em Bruxelas, para uma cimeira extraordinária do Conselho Europeu, convocada pelo presidente da instituição, António Costa. O encontro surge num momento geopolítico crítico, com a guerra na Ucrânia a entrar no seu quarto ano e negociações preliminares entre os Estados Unidos e a Rússia a avançarem sem a participação da UE nem da própria Ucrânia.

A convocação desta reunião foi impulsionada pelos recentes encontros promovidos pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, e visa reafirmar a posição europeia no apoio à Ucrânia e na definição de uma estratégia comum para a defesa europeia.



Os 27 Estados-membros vão discutir as contribuições europeias para as garantias de segurança necessárias à Ucrânia, num momento em que o bloco comunitário se prepara para assumir uma maior responsabilidade na segurança europeia.

“Há uma nova dinâmica, que deverá conduzir a uma paz global, justa e duradoura”, afirmou António Costa na carta-convite enviada aos chefes de Governo e de Estado da União Europeia.

Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, a UE e os seus Estados-membros disponibilizaram cerca de 135 mil milhões de euros em apoio à Ucrânia, incluindo 48,7 mil milhões de euros para reforçar as forças armadas ucranianas. Além disso, o bloco comunitário já aprovou 16 pacotes de sanções contra a Rússia.

No que toca à defesa europeia, António Costa espera que esta cimeira permita avançar com as primeiras decisões concretas para que a Europa se torne mais soberana e melhor preparada para os desafios futuros.

“É essencial que a Europa se torne mais capaz e mais bem equipada para enfrentar os desafios imediatos e futuros à sua segurança”, destacou Costa.

O investimento na defesa tem vindo a aumentar significativamente. Entre 2021 e 2024, a despesa total dos Estados-membros com defesa cresceu mais de 30%, atingindo 326 mil milhões de euros, o equivalente a 1,9% do PIB da UE.

Zelensky convidado para a cimeira, mas presença ainda incerta
O Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi convidado para participar na cimeira, mas até ao momento ainda não confirmou a sua presença. Caso não se desloque a Bruxelas, poderá intervir por videoconferência, segundo fontes europeias.

A exclusão da Ucrânia e da UE das negociações preliminares entre os EUA e a Rússia sobre um possível acordo de paz é um dos pontos que será abordado pelos líderes europeus. Para os 27, qualquer solução deve envolver diretamente a Ucrânia e ser baseada nos princípios da integridade territorial do país.

Na sequência da cimeira de hoje, António Costa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, realizarão na sexta-feira uma videoconferência com países parceiros que não pertencem à UE, nomeadamente o Reino Unido, Islândia, Noruega e Turquia.

O objetivo é informar estes países sobre as decisões tomadas na cimeira e sobre os próximos passos da UE em matéria de defesa e segurança.

Esta reunião surge num contexto em que os líderes europeus procuram fortalecer as suas alianças estratégicas e garantir um reforço da coordenação na defesa do continente.

Com a cimeira de hoje, a União Europeia pretende consolidar a sua posição num momento de redefinição da ordem global, garantindo que continua a ser um ator relevante no apoio à Ucrânia e no reforço da sua própria segurança.

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