O presidente da Rússia, Vladimir Putin, anunciou o que chamou de “operação militar especial” na Ucrânia, dando início, a 24 de fevereiro de 2022, a uma guerra com o país vizinho.
Dias antes, Putin havia reconhecido Donetsk e Lugansk, no leste ucraniano, como territórios separatistas. Ao anunciar a invasão ao país vizinho, a autoridade russa criticou ações do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, contra a população local.
O então presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, foi uma das primeiras autoridades a criticar a ação russa e declarar apoio à Ucrânia, dizendo que “o mundo irá responsabilizar a Rússia” pela guerra.
A Europa voltava a estar em guerra quando já passava das 3h30 em Portugal continental, altura em que as ameaças de Putin ao Ocidente, caso interferissem no conflito, estavam a ser transmitidas, assim como os relatos de explosões nos arredores de Kiev. Enquanto decorria a segunda reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, o presidente russo declarou que os confrontos entre as forças ucranianas e russas são “inevitáveis” e “apenas uma questão de tempo”. Falou numa “operação militar especial na Ucrânia” e ameaçou retaliar quem interviesse.
Começou com ‘estrondo’: foram relatados pelo menos 203 ataques russos pelas forças ucranianas. A Rússia ataca por três frentes: terra, mar e ar. É o maior ataque a um estado europeu desde a II Guerra Mundial. Antes das 5 horas, as tropas russas desembarcavam em Odessa, cidade localizada nas margens do Mar Negro, de acordo com as autoridades ucranianas. Outras forças militares, também sob o comando de Moscovo, cruzavam a fronteira em direção a Kharkiv.
Nos arredores de Kiev aconteciam os primeiros ataques com mísseis a caças ucranianos estacionados numa base. Os ataques concentravam-se inicialmente no leste e sul da Ucrânia, mas a invasão avançou em três frentes, e a Ucrânia aplicou a lei marcial a todo o território. Antes das 6 horas, soaram as sirenes em Kiev, a alertar para a iminência de um ataque aéreo.
As tropas russas, confirmando a hipótese de uma invasão total, avançaram pelo Donbass, pela Bielurrúsia e pela Crimeia. Lugansk e Donetsk, a leste, foram alvos preferenciais nestas primeiras horas de guerra, tendo sido ocupadas várias aldeias pelo exército russo. A norte, as tropas da Rússia atravessaram a fronteira de Kharkiv, a segunda maior cidade da Ucrânia, e também Sumy e Chernigov. As movimentações terrestres estenderam-se rapidamente até Lutsk. Já no sul, os ataques foram efetuados a partir da Crimeia, afetando cidades estratégicas para o comércio portuário: Odessa e Mariupol.
A dimensão da ofensiva, que abalou vários pontos do território ucraniano, levou Zelensky a comparar a invasão da autoria de Putin à que Hitler impôs à Ucrânia na II Guerra Mundial. O presidente da Ucrânia confirmou que a Rússia estava a atacar a “infraestrutura militar” e os postos de fronteira ucranianos, e pediu à população que não entre em pânico. O espaço aéreo do país foi fechado e a polícia deixou avisos à população através de megafones.
Às 10 horas, a Ucrânia fazia o primeiro balanço: 50 mortos, entre os quais 40 militares e dez civis. A Lituânia e a Moldávia fechavam o espaço aéreo e decretavam estado de emergência.
Depois de horas em combate, as forças russas tomam controlo da central nuclear de Chernobyl. A Rússia quer controlar o reator nuclear de Chernobyl para sinalizar à NATO que não deve interferir militarmente no território, disse um conselheiro do gabinete presidencial ucraniano.
Uma hora e meia depois, Kiev foi abalada por novos estrondos. Os responsáveis ucranianos denunciaram que edifícios militares estavam a ser atingidos um pouco por todo o território. Pouco tempo depois, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, garantiu: “Esta é uma invasão deliberada, a sangue frio e planeada há muito tempo.”
Na Rússia, cerca de mil cidadãos russos saem às ruas de Moscovo, durante a tarde, para protestar contra o início de conflito. Muitos outros juntam-se, em 48 cidades. As manifestações terminam em detenções por parte das forças policiais russas: mais de 1.195 pessoas foram detidas na sequência destes protestos, segundo o grupo de direitos humanos OVD-Info.







