Rússia ameaça retaliar se UE avançar com plano para apreender petroleiros da ‘Frota Fantasma’ no Báltico

A Rússia advertiu que qualquer apreensão de petroleiros ligados a Moscovo no Mar Báltico será tratada como um ataque ao seu território, numa resposta às propostas de vários países da União Europeia para reforçar o controlo sobre a chamada “frota fantasma” russa.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Rússia advertiu que qualquer apreensão de petroleiros ligados a Moscovo no Mar Báltico será tratada como um ataque ao seu território, numa resposta às propostas de vários países da União Europeia para reforçar o controlo sobre a chamada “frota fantasma” russa.

A ameaça foi feita por Alexei Zhuravlev, vice-presidente da Comissão de Defesa da Duma russa, que declarou na segunda-feira que “qualquer ataque contra os nossos navios pode ser considerado um ataque ao nosso território, mesmo que o navio esteja registado sob bandeira estrangeira”.

As declarações surgem depois de a imprensa internaconal ter revelado que países como Finlândia, Lituânia, Estónia e Letónia estão a ponderar novos mecanismos legais para deter mais petroleiros russos na região. Estes países mostram-se cada vez mais frustrados com o facto de Moscovo estar a utilizar navios antigos, de propriedade pouco transparente e sem seguro claro, para contornar as sanções ocidentais que visam reduzir as receitas do Kremlin e enfraquecer a sua capacidade de financiar a guerra na Ucrânia.

Moscovo ameaça retaliação no Báltico
Zhuravlev, que também lidera o partido nacionalista Rodina, foi explícito nas consequências que Moscovo poderá impor caso a UE avance com estas apreensões. Segundo o deputado russo, eventuais ações contra petroleiros russos poderão levar a “medidas retaliatórias”, incluindo a possibilidade de “abordar navios ocidentais no Báltico”, além da mobilização da frota russa na região.

O responsável sublinhou ainda a superioridade militar da Rússia face aos países bálticos, afirmando que a sua frota “certamente não pode ser comparada à pequena frota de barcos que estes países possuem”.

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O debate sobre a captura de petroleiros russos no Báltico ganhou novo ímpeto depois de a Finlândia ter apreendido um navio da frota fantasma russa em dezembro, suspeito de envolvimento no sabotagem de cabos submarinos na região.

A Ucrânia elogiou os esforços dos países bálticos e nórdicos para aumentar a pressão sobre Moscovo. Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, considerou que estas iniciativas são “muito importantes neste momento, pois cada dia de perturbação logística afeta seriamente a capacidade da Rússia de financiar a guerra”.

A Rússia tem recorrido à frota fantasma para continuar a exportar petróleo e gás, apesar das sanções impostas pelo Ocidente. Estas exportações representam quase metade das receitas fiscais do Kremlin e são fundamentais para manter o esforço de guerra na Ucrânia.

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Com o endurecimento da posição da UE e a ameaça de novas detenções de navios russos, a tensão no Mar Báltico pode escalar rapidamente, num confronto direto entre Moscovo e os Estados-membros que lideram esta iniciativa.

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