Portugal continental entra esta segunda-feira numa semana marcada por temperaturas excecionalmente elevadas para a época, num episódio de calor que deverá atingir o ponto máximo entre hoje e quarta-feira, podendo levar os termómetros a aproximarem-se dos 40 graus em algumas regiões do país.
As previsões do portal especializado Tempo.pt apontam para a intensificação de uma chamada “cúpula de calor”, fenómeno associado à presença de uma vasta crista anticiclónica que está a transportar uma massa de ar tropical continental, muito quente e seca, desde o Norte de África até à Península Ibérica.
O episódio de tempo quente começou ainda na semana passada, mas deverá agravar-se nos próximos dias, com temperaturas muito acima da média climatológica habitual para o final de maio. Além do calor, a situação meteorológica continua também a favorecer o transporte de poeiras do Saara para a atmosfera portuguesa.
Pico do calor esperado até quarta-feira
De acordo com as previsões meteorológicas, os dias mais quentes deverão ser esta segunda, terça e quarta-feira, 25, 26 e 27 de maio, respetivamente.
Na generalidade do território continental, as temperaturas máximas deverão oscilar entre os 30 e os 35 ºC, mas várias regiões poderão registar valores significativamente superiores. Os distritos do interior Norte e Centro, sobretudo o vale do Douro e a Beira Baixa, estão entre as zonas mais expostas ao calor intenso.
Também Lisboa e Vale do Tejo deverão enfrentar temperaturas muito elevadas, especialmente no vale do Tejo, Oeste e Península de Setúbal. No Alentejo, os vales do Sado e do Guadiana surgem igualmente entre as regiões mais afetadas.
As previsões indicam que algumas localidades poderão atingir máximas entre 36 e 40 ºC, com destaque para o vale do Guadiana. Mértola surge entre os locais onde os termómetros poderão aproximar-se dos 40 ºC durante quarta-feira, que é apontada como o dia mais quente deste episódio.
Os modelos meteorológicos indicam ainda anomalias térmicas muito expressivas, com temperaturas até 13 ºC acima do normal para esta altura do ano.
O que é uma “cúpula de calor”
O fenómeno descrito como “cúpula” ou “domo” de calor corresponde a uma configuração atmosférica em que uma crista anticiclónica muito persistente atua como uma espécie de tampa sobre uma vasta região.
Neste cenário, o ar desce nas camadas atmosféricas, sendo comprimido e aquecido progressivamente. Este mecanismo dificulta a renovação da massa de ar e favorece a acumulação de calor junto à superfície, permitindo que as temperaturas se mantenham muito elevadas durante vários dias consecutivos.
Quando o anticiclone permanece estável durante longos períodos, estes episódios podem tornar-se particularmente severos e prolongados.
Litoral deverá escapar ao calor mais extremo
Apesar do aumento generalizado das temperaturas, o litoral Norte e Centro deverá continuar relativamente mais fresco devido à influência marítima.
Nestas regiões costeiras, as máximas deverão variar entre os 20 e os 25 ºC, criando um contraste significativo face ao interior do país, onde o calor será muito mais intenso.
Instabilidade no Norte e Centro antes do agravamento do calor
Antes do reforço da massa de ar quente africana, o fim de semana ficou marcado pela passagem de uma depressão isolada em altitude, conhecida como “gota fria”, sobre o noroeste da Península Ibérica.
Essa situação originou condições de instabilidade atmosférica, com aguaceiros localizados, trovoadas e possibilidade de granizo em várias zonas das regiões Norte e Centro, bem como no Alto Alentejo.
As previsões meteorológicas indicaram ainda a possibilidade de descargas elétricas localmente severas, sobretudo entre Braga e Porto.
Ainda assim, essa ligeira instabilidade apenas provocou uma pequena descida temporária das temperaturas máximas no litoral, sem alterar o cenário dominante de calor persistente previsto para esta semana.
Calor poderá prolongar-se até ao final do mês
Os modelos atmosféricos mais recentes sugerem que a influência da crista anticiclónica poderá manter-se para além de quarta-feira, prolongando o episódio de tempo quente durante a última semana de maio.
A mesma estrutura atmosférica deverá também expandir-se para outras regiões da Europa Ocidental e Central, reforçando o domínio desta “cúpula de calor” em várias zonas do continente.













