Acordo de paz na Ucrânia só quando forem cumpridas “todas as condições de Putin”, avisa Rússia. Moscovo nega reunião marcada com Trump

A Rússia reiterou esta segunda-feira que qualquer possível acordo de paz para a Ucrânia só será viável se todas as condições estabelecidas pelo presidente Vladimir Putin forem cumpridas. A posição foi reafirmada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, responsável pelas relações com os Estados Unidos e pelo controlo de armamento.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Rússia reiterou esta segunda-feira que qualquer possível acordo de paz para a Ucrânia só será viável se todas as condições estabelecidas pelo presidente Vladimir Putin forem cumpridas. A posição foi reafirmada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Sergei Ryabkov, responsável pelas relações com os Estados Unidos e pelo controlo de armamento.

Segundo Ryabkov, “quanto mais cedo os Estados Unidos e o Ocidente compreenderem que todas as condições de Putin devem ser aceites, mais cedo será possível chegar a um acordo”. O diplomata referia-se às exigências que o líder russo apresentou a 14 de junho do ano passado como pré-requisito para um cessar-fogo imediato.

Na altura, Putin estabeleceu que a Ucrânia deveria abandonar a sua intenção de aderir à NATO e retirar completamente as suas tropas das quatro regiões ucranianas que a Rússia reivindica e, em grande parte, controla. Estes territórios — Donetsk, Lugansk, Zaporíjia e Kherson — foram anexados unilateralmente por Moscovo em 2022, numa ação amplamente condenada pela comunidade internacional.

Ryabkov acusou ainda os Estados Unidos de se tornarem uma parte ativa do conflito devido ao fornecimento contínuo de armamento moderno a Kiev. “Os envios de armas por parte dos EUA tornaram-nos um participante direto na guerra”, afirmou, citado pela Reuters.

Para Moscovo, qualquer negociação sobre a Ucrânia deve abordar as “causas profundas do conflito” e reconhecer a “realidade no terreno”, insistiu Ryabkov. O responsável russo advertiu ainda que qualquer tentativa de impor ultimatos à Rússia está condenada ao fracasso.

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Abertura ao diálogo com Trump, mas sem reunião agendada
Apesar do tom duro face aos EUA, Ryabkov elogiou a administração do ex-presidente Donald Trump pela sua aparente disponibilidade para dialogar sobre a Ucrânia. O diplomata garantiu que Moscovo está aberta a negociações “numa base de igualdade”, mas reforçou que não aceitará condições que contrariem os interesses estratégicos russos.

Entretanto, o governo russo esclareceu que, neste momento, não há qualquer encontro agendado entre Putin e Trump. Falando à agência Sputnik, Ryabkov admitiu que “a situação permanece fluida” e que, embora não haja planos concretos, o futuro poderá ditar um eventual encontro entre os dois líderes.

Ao mesmo tempo, os canais diplomáticos entre Moscovo e Washington continuam ativos. O vice-ministro indicou que há contactos em curso entre os respetivos Ministérios dos Negócios Estrangeiros, mas recusou-se a divulgar mais detalhes, sublinhando a complexidade e a natureza cautelosa das relações entre os dois países num contexto de crescentes tensões geopolíticas.

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