Berardo usa família em operação suspeita que dificulta acesso dos bancos às obras de arte: Ministério Público investiga

Os três bancos avançaram com um processo cível para a recuperação dos créditos, tendo avançado com a reclamação do pagamento de créditos de 962 milhões de euros, sendo que, referem os autos, a dívida já terá ultrapassado os 1,14 mil milhões de euros

Revista de Imprensa

O Ministério Público está a investigar uma operação financeira de Joe Berardo que lhe permitiu ‘fintar’ os grandes bancos – Caixa Geral de Depósitos, BCP e Novo Banco – da sua valiosa coleção de arte. O empresário madeirense, revelou o ‘Correio da Manhã’, utilizou em 2016 a família para emitir 990 mil títulos de participação da Associação Coleção Berardo (ACB), para atribuir à mulher de Berardo, assim como o filho e filha a posse das obras de arte, ao mesmo tempo que permitiu a redução do penhor do bancos sobre o títulos e obras de arte de 100 para 49,81%.

Os três bancos avançaram com um processo cível para a recuperação dos créditos, tendo avançado com a reclamação do pagamento de créditos de 962 milhões de euros, sendo que, referem os autos, a dívida já terá ultrapassado os 1,14 mil milhões de euros.

Nos autos está descrita a operação sob investigação das autoridades. A 16 de abril de 2016, “em correspondência com a aportação de 990 mil títulos patrimoniais da Associação de Coleções [entidade do Grupo Berardo], no valor nominal de 250 euros cada, para o património da ACB por Carolina Berardo, Renato Berardo e Cláudia Berardo, foram emitidos 990 mil títulos patrimoniais da ACB, no valor total de 247,5 milhões de euros, que foram atribuídos como se segue: 485.436 títulos a Carolina, 252.282 títulos a Renato e 252.282 títulos a Cláudia”.

Dessa forma, Joe Berardo reforçou o poder da sua família no controlo da coleção de obras de arte e reduziu o poder dos bancos, cujos títulos foram dados em penhor para garantir o pagamento de créditos concedidos ao Grupo Berardo.

Esta operação, garantiu a Associação Coleção Berardo, não se traduziu na perda de valor económico dos títulos para efeitos de cobrança dos mesmos. Entendimento diferente têm os bancos, apontando que “a ACB tentou quebrar o elo de ligação entre os títulos e as obras [de arte] e, pelo menos, dificultou o acesso às obras de arte que compõem o património da ACB e a obtenção do correspondente encaixe financeiro pelo valor das mesmas por parte dos bancos”.

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