O tratamento usual para pessoas com cancro renal avançado é a cirurgia, sendo que a imunoterapia, um tipo de tratamento que ajuda o sistema imunológico a atacar o cancro, é então usada para reduzir o risco de reincidência: um terço recupera-se com esta combinação terapêutica, mas o restante sofre recaídas com poucas opções.
No entanto, um artigo publicado na revista ‘Nature’ apontou os resultados de um estudo piloto junto de nove pacientes com cancro renal: investigadores do Instituto de Cancro Dana-Farber, em Boston (EUA), e de outras instituições americanas administraram uma vacina personalizada após a cirurgia com o objetivo de estimular uma resposta imune capaz de eliminar quaisquer células tumorais remanescentes e prevenir uma possível recaída – após três anos de acompanhamento, todos os pacientes permaneceram livres do cancro.
As vacinas personalizadas da equipa americana são feitas de tecido tumoral removido de pacientes durante a cirurgia: este tecido contém pequenos fragmentos de proteínas mutantes, conhecidas como neoantígenos, que estão presentes em células cancerígenas, mas não em células saudáveis. Assim, é desenvolvido um medicamento através deste antígeno tumoral, uma substância presente na superfície das células cancerígenas que as diferencia das células saudáveis. Assim como os vírus, esses antígenos permitem que o sistema imunológico reconheça e ataque as células cancerígenas, algo que antes não era capaz de fazer de forma eficaz.
Esses tipos de vacinas estão entre os tratamentos mais promissores para o cancro, mas os seus sucessos ocorreram em outros tipos de tumores, como o melanoma, que tem muito mais mutações do que o cancro no rim e, portanto, muito mais neoantígenos para escolher um alvo.
“Observámos uma expansão rápida, significativa e duradoura de novos clones de células T [células imunes que atacam tumores específicos] associados à vacina”, destacou Patrick Ott, coautor do estudo e diretor do Centro de Vacinas contra o Cancro do Dana-Farber, em comunicado. “Esses resultados apoiam a viabilidade do desenvolvimento de uma vacina neoantígena personalizada altamente imunogénica num tumor com baixa carga mutacional e são encorajadores, embora sejam necessários estudos em larga escala para entender completamente a eficácia clínica dessa abordagem”, acrescentou.














