Alemanha avisa aliados da NATO para os riscos de cair na “armadilha” de Trump sobre aumento do orçamento da defesa

Em entrevista à cadeia de televisão alemã ZDF, o governante sublinhou que a Alemanha e os seus aliados não devem reagir impulsivamente a cada exigência vinda de Washington, defendendo antes uma abordagem mais estratégica e sustentável para o fortalecimento da defesa europeia.

Pedro Zagacho Gonçalves

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, alertou esta segunda-feira para o risco de se cair nas “armadilhas” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no que diz respeito ao aumento drástico do investimento militar. Em entrevista à cadeia de televisão alemã ZDF, o governante sublinhou que a Alemanha e os seus aliados não devem reagir impulsivamente a cada exigência vinda de Washington, defendendo antes uma abordagem mais estratégica e sustentável para o fortalecimento da defesa europeia.

“Não se deve cair em todas as armadilhas que Donald Trump coloca”, afirmou Pistorius, citado pela agência DPA. Apesar do tom cauteloso, o ministro alemão reconheceu que o atual nível de investimento na defesa, fixado nos 2% do PIB, é insuficiente, sobretudo devido à ameaça que representa o presidente russo, Vladimir Putin.

Pistorius rejeita aumento para 5% do PIB, mas admite subida para 3% ou 4%
Nos últimos meses, Donald Trump tem intensificado a pressão sobre os aliados da NATO para que aumentem significativamente os seus orçamentos militares, tendo sugerido um patamar de até 5% do PIB. No entanto, Pistorius considerou essa meta inviável e defendeu que o reforço da defesa deve ser conduzido de forma equilibrada e orientado para o fortalecimento da indústria armamentista europeia.

“Face à nova ameaça representada por Putin, está absolutamente claro que os 2% não são suficientes. Tem de ser substancialmente mais elevado”, explicou o ministro alemão, acrescentando que um investimento entre 3% e 4% do PIB seria uma meta mais realista. Além disso, Pistorius salientou que os objetivos da NATO devem ser definidos e alcançados de forma conjunta entre os aliados, e não impostos unilateralmente.

União Europeia discute reforço da defesa
As declarações do ministro alemão surgem no contexto de uma reunião dos ministros da Defesa da União Europeia, que decorre esta segunda-feira em Bruxelas, e na qual se debate o reforço das capacidades de defesa europeias. A necessidade de um maior investimento militar tem sido uma das principais preocupações das lideranças europeias, particularmente desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022.

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Na véspera da reunião, o recém-nomeado secretário-geral da NATO, Mark Rutte, instou a Alemanha a aumentar o seu orçamento de defesa. “Temos de nos preparar para a guerra. Essa é a melhor forma de evitá-la”, declarou Rutte à imprensa neerlandesa, numa mensagem que reforça a necessidade de um compromisso financeiro mais robusto por parte dos países europeus.

A Alemanha, que durante décadas manteve uma política de contenção militar, tem vindo a aumentar progressivamente os seus gastos na defesa desde a guerra na Ucrânia. No entanto, Berlim tem insistido que esse reforço deve ser feito de forma sustentável e em linha com os interesses estratégicos da União Europeia, evitando decisões precipitadas baseadas apenas nas pressões externas, nomeadamente dos Estados Unidos.

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