Rússia acusa Reino Unido de impor “confrontação” aos seus aliados para prolongar a guerra na Ucrânia

O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, criticou a posição de Londres, acusando o governo britânico de insistir numa estratégia que visa levar a Ucrânia a combater “até ao último ucraniano”.

Pedro Zagacho Gonçalves

O Kremlin acusou esta segunda-feira o Reino Unido de forçar os seus aliados europeus a adotarem uma “linha de confrontação” no conflito na Ucrânia, após serem conhecidas algumas das diretrizes que o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, pretende apresentar aos seus parceiros da União Europeia durante a cimeira de hoje em Bruxelas.

O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, criticou a posição de Londres, acusando o governo britânico de insistir numa estratégia que visa levar a Ucrânia a combater “até ao último ucraniano”. Segundo Peskov, essa política não favorece Kiev e apenas agrava a situação no terreno. “Sim, estamos plenamente conscientes de que o Reino Unido está entre os países que impõem esta linha de confronto aos seus parceiros”, afirmou o responsável russo, citado pela agência Interfax.

Da mesma forma, Peskov assegurou que há um crescente número de vozes na Europa Ocidental que desaconselham a continuidade dessa estratégia, baseada essencialmente na imposição de sanções económicas contra a Rússia. Para Moscovo, a manutenção dessa política apenas contribui para o prolongamento do conflito e impede qualquer possibilidade de diálogo.

Kremlin insiste na ilegitimidade de Zelensky e exige eleições em 2025
Relativamente à possibilidade de negociações de paz, o Kremlin voltou a insistir na sua posição de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, não tem legitimidade para participar em qualquer processo negocial. Peskov defendeu que o mandato de Zelensky terminou e que, sem novas eleições, a Ucrânia não pode contar com representantes legítimos numa eventual mesa de negociações.

O porta-voz russo sublinhou que ainda não houve “nenhuma discussão séria” sobre quem poderia representar Kiev numa negociação, mas reiterou a posição russa de que “Zelensky não tem o direito de negociar”. Segundo Moscovo, a realização de eleições presidenciais na Ucrânia em 2025 seria um requisito essencial para que os seus dirigentes sejam considerados legítimos no cenário internacional.

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“Estas eleições são necessárias para legitimar os líderes ucranianos, sem o que não se pode validar qualquer acordo”, afirmou Peskov, acrescentando que o chefe de Estado ucraniano “não está satisfeito” com essa exigência russa.

Estas declarações surgem num momento em que a guerra na Ucrânia se arrasta há quase três anos e num contexto de crescente pressão internacional para encontrar uma solução diplomática para o conflito. No entanto, tanto Kiev como os seus aliados ocidentais têm rejeitado as exigências de Moscovo, argumentando que a Rússia não demonstra qualquer intenção real de cessar as hostilidades.

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