A comissão liquidatária do BES «mau» exige a devolução à massa insolvente de quase 9,2 milhões de euros a Ricardo Salgado, pela prática de alegados actos prejudiciais ao antigo BES, entre 3 de Agosto de 2012 e 3 de Agosto de 2014, avança o “Correio da Manhã” (CM), acrescentando que banqueiro já impugnou a acção por considerar que «não se verifica a prática de qualquer ato prejudicial» nesse período.
Segundo o “CM”, a comissão liquidatária afirma que a verba reclamada diz respeito a movimentos a débito registados nas contas à ordem que Salgado tinha no BES e que, no período em causa, terão causado prejuízos à massa insolvente do BES «mau». Na oposição à impugnação de Salgado, que deu entrada no Tribunal do Comércio de Lisboa em Fevereiro, indica-se que «estão em causa actos que privaram a massa insolvente do BES de activos líquidos (disponibilidades monetárias) no valor global de 9,19 milhões de euros, em benefício de um único credor, o Autor [Salgado], e que deveriam ter ficado na massa insolvente para satisfação da generalidade dos credores (e não apenas de um), de acordo com as regras legais de verificação e graduação de créditos aplicáveis».
Salgado contrapõe, assegurando que o dinheiro debitado nas suas contas bancárias junto do BES era dele e dos demais titulares das contas, «incluindo fruto do seu trabalho”. Por isso, o banqueiro sublinha que “não tirou dinheiro à ‘futura’ massa insolvente do BES».
O jornal adianta que a comissão liquidatária começou por reclamar a devolução de quase 15,2 milhões de euros. Mas, após analisar informação adicional dada pelo Novo Banco, reduziu o valor exigido para cerca de 9,2 milhões de euros, alegando que existem factos que indiciam que o banqueiro «teve e não podia deixar de ter tido conhecimento da situação de insolvência iminente do BES». Salgado volta à carga, garantido reiteradamente que «não sabia, nem podia saber» dessa situação, «porque o BES estava, efectivamente, solvente».
Ainda de acordo com o “CM”, Pedro Mosqueira do Amaral e Ricardo Abecassis (primo de Salgado), antigos administradores do BES, foram ilibados da culpa pela falência do BES. A decisão foi tomada, em Janeiro último. Ambos integravam a lista de 13 «culpados» pela falência do BES, que, em 2017, esta comissão considerou que foi culposa. Em Fevereiro de 2018, o Ministério Público subscreveu a tese dessa comissão.













