Os níveis de poluição da China podem ajudar a medir o efeito do coronavírus na economia do país. Na base deste sistema está a constatação de que as principais cidades chinesas estão, habitualmente, cobertas de smog – uma combinação de fumo e nevoeiro. Tendo em conta que este fenómeno tem origem na poluição causada pela produção industrial, verifica-se que ar mais limpo será sinónimo de fábricas paradas.
As imagens de satélite captadas pela NASA mostram que nos últimos dois meses houve uma diminuição nos níveis de dióxido de nitrogénio, em parte causada pelo abrandamento da produção económica, depois da propagação do novo coronavírus naquele país. Duas imagens, uma de janeiro e outra de fevereiro, mostram isso mesmo: Na primeira imagem nota-se uma grande mancha de dióxido de nitrogénio representada em tons de laranja em Pequim e Xangai, já na segunda essa mancha desaparece quase completamente sendo visíveis apenas alguns focos.

Segundo adianta a CNBC, algumas províncias chinesas começam, gradualmente, a abrir as suas fábricas e a retomar a produção. O governo já garantiu também, na passada quarta-feira, que a taxa de regresso ao trabalho chega aos 50% em algumas companhias industriais em regiões consideradas cruciais, como é o caso de Guangdong ou Xangai.
No entanto, no acumulado do ano, os níveis de poluição têm estado entre 20 e 25% mais baixos do que no mesmo período de 2019, de acordo com dados divulgados pelo Tapas Strickland of National Australia Bank (NAB). Estes números sugerem que a actividade industrial está a ser significativamente inferior à registada no ano passado.
Rodrigo Catril, senior foreign exchange strategist do NAB, considera que as notícias divulgadas pelo governo chinês de que as fábricas estão a voltar ao trabalho deveriam ser recebidas com optimismo. Porém, os dados referentes aos níveis de poluição e o tráfego automóvel não corroboram estas informações, garante o responsável.
Por exemplo, no passado dia 20 de Fevereiro, o consumo diário de carvão de seis das principais centrais energéticas foi 42,5% inferior ao do ano passado, segundo a financeira japonesa Nomura. «O ritmo foi lento devido à falta de trabalhadores e a critérios restritos para reabertura», explica Sin Beng Ong, da JP Morgan.
Além da poluição, também outras métricas como trânsito ou número de passageiros podem servir como indicadores da actividade económica. O banco Nomura sublinha que a taxa de regressos dos trabalhadores em 15 cidades foi de 25,6%, a 19 de Fevereiro, o equivalente a cerca de um quarto do verificado no período homólogo do ano passado (considerando a pausa para celebrar o Novo Ano Chinês).
Há que ter em consideração, no entanto, as pessoas que trabalham a partir de casa devido ao surto de coronavírus. Neste caso, a poluição não será um indicador de actividade económica.




