A Comissão Europeia teme que a propagação do Covid-19 provoque o primeiro encerramento de fronteiras nos países da União Europeia (UE), por razões de saúde, desde a entrada em vigor do espaço Schengen, revela o “El País”.
Dez dias após a última reunião dos ministros da Saúde em Bruxelas, os controlos mais apertados em alguns aeroportos não travaram a propagação do vírus. Em Itália, á morreram quatro pessoas infectadas com Covid-19. «Estamos a acompanhar de muito perto a situação na Itália», disse a Comissária Europeia de Saúde, Stella Kyriakides.
A responsável explicou que, para já, nenhum país tomou medidas para fechar as fronteiras. Porém, frisou: «Receamos que, nos próximos dias, algum país possa pensar nisso», nomeadamente a Áustria, depois o executivo austríaco ter negado a passagem de um comboio de Veneza com destino a Munique, após suspeitas de dois passageiros serem portadores de coronavírus, adianta a “Reuters”.
As regras em vigor permitem que os Governos europeus possam restaurar os controlos fronteiriços sempre que detectam uma ameaça imediata. A decisão deve ser comunicada aos restantes Estados-membros e à Comissão, podendo estar em vigor por um período inicial de 10 dias. A medida pode ainda ser prorrogável até um prazo máximo de dois meses.
«Não sou a favor do encerramento das fronteiras, porque isso não ajuda a combater a epidemia», adverte Marc Van Ranst, epidemiologista do Hospital Universitário de Leuven, um dos centros de referência contra o coronavírus na Bélgica. «A melhor solução é identificar os casos e isolá-los. É uma forma de poupar tempo para preparar os cidadãos e os hospitais para algo que provavelmente virá», considera.
No domingo, a presidente da Frente Nacional, Marine Le Pen, disse ser favorável «à restauração dos controles de fronteira com a Itália», no caso de haver indícios que a epidemia de coronavírus — que já fez três vítimas mortais — possa ficar «fora de controle».
E Le Pen não está sozinha. A Câmara de Nápoles defendeu a proibição de desembarque na ilha de Ischia (uma ilha no golfo de Nápoles) a todos os visitantes que residam na Lombardia ou no Venetto, as duas regiões italianas mais fustigadas pelo surto.
Outro membro da UE, a Roménia, decretou neste domingo a quarentena obrigatória de 14 dias para os cidadãos que cheguem dessas mesmas regiões italianas. Os passageiros que chegarem ao aeroporto de Bucareste serão submetidos a um questionário médico e aqueles que levantarem dúvidas poderão ser submetidos a uma quarentena nas suas próprias casas.
Fora da UE, a Rússia já proibiu a entrada de visitantes chineses e a Turquia fechou a fronteira com o Irão, um dos países onde foi detectado o vírus.













