«A escolha de um computador ou impressora é uma decisão de segurança»

Com uma quota de 45% nos computadores vendidos a empresas, a HP trabalha, há muito, em soluções de segurança para garantir que os seus produtos são robustos em caso de infecção ou ataque. José Correia, director-geral da HP Portugal, falou com a Risco sobre o trabalho da marca na área da cibersegurança

Executive Digest

Quais os maiores desafios que se apresentam às empresas com as quais trabalham, no que diz respeito à cibersegurança?

Hoje em dia o tema da cibersegurança está suficientemente na ordem do dia para não passar despercebido a quem tem de tomar determinadas decisões. No entanto, verificamos que, por vezes, ainda falta algum entendimento, principalmente no que diz respeito à importância dos equipamentos dentro da framework de protecção das empresas.

A escolha de um computador ou de uma impressora é, por si só, uma decisão de segurança para a empresa. Ao longo dos anos, as empresas foram gerindo o seu sistema de segurança através de camadas de software, firewalls e outras infra-estruturas, mas hoje os ataques são cada vez mais rápidos, mais sofisticados, e, muitas das vezes, sem historial, o que significa que nem mesmo os antivírus conseguem perceber que estão perante uma ameaça.

O maior desafio das empresas é o de lidar com esta realidade, conscientes de que cada equipamento, computador ou impressora é um factor de risco, visto que o utilizador, neste sistema, é sempre o elo mais fraco.

71% das falhas de segurança começam naquilo que é designado como o endpoint, ou seja, computadores, impressoras, smartphones, tablets, etc. Isto acontece precisamente porque estes equipamentos estão nas mãos do elo mais fraco. Nós, utilizadores, somos vulneráveis, porque somos todos diferentes, e por isso não utilizamos os equipamentos todos da mesma maneira. Muitas empresas ainda não têm este dado bem claro. Acham que camadas resolver a maior parte dos problemas, mas não é assim. Muitas vezes, o que acontece é que o software evita que o ataque prolifere na rede, mas não impede a entrada. Ora, num parque informático, um computador infectado é um a mais do que aquilo que deveria ser. Se criar uma quebra de produtividade, ou afectar algo que realmente tem de ser produzido naquele dia, pode ter um peso substancial.

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As empresas têm de ter em conta que ao comprar um computador em 2020, vão tê-lo em actividade, em média, por cinco anos. Aquele computador vai estar “vivo” em 2024. Se olharmos para a evolução dos ataques ao longo dos últimos dois anos e tentarmos extrapolar como vão ser as coisas em 2024, a pergunta é: temos a certeza que a decisão hoje pela compra de um computador ainda vai estar válida daqui a três ou quatro anos? Até podemos argumentar que não temos como responder a esta pergunta, mas será que estamos a fazer tudo, hoje, com o que já conhecemos, para salvaguardar a protecção deste investimento?

O Quadro Nacional de Referência para a Cibersegurança (QNRCS) apresenta cinco objectivos específicos que as empresas devem ter: identificar, proteger, detectar, responder e recuperar. De que forma as soluções HP respondem a estes objectivos?

Uma solução de cibersegurança que se queira resiliente, para uma organização, tem de responder a esses objectivos. É necessário proteger, como base, e identificar, sendo que esta segunda fase está a ganhar novos contornos. Se há uns anos nos bastava ir fazendo as actualizações dos antivírus todos os dias, ou de semana a semana, hoje em dia isso não é suficiente. Há cerca de 300 mil malwares que são lançados no mundo a cada dia, razão pela qual a probabilidade de termos de lidar com algo que ainda ninguém conhece é grande. Daí que a tecnologia de inteligência artificial e deep learning, como a que estamos a introduzir nas nossas máquinas, seja importante para percebermos quando estamos perante um evento, mesmo sem sabermos qual.

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Os computadores com que trabalhamos hoje conhecem, de alguma maneira, a nossa actividade. Sabem a que horas começamos a trabalhar, quando terminamos, se trabalhamos durante a noite ou de madrugada… Com essa tecnologia, associada à inteligência artificial, é possível prever ou detectar uma actividade suspeita a uma hora em que seria anormal estar a suceder. Isto é identificado como um alerta de um evento que tem de ser verificado, e que, pelo sim pelo não, é colocado em quarentena. Este tipo de tecnologia está presente nos computadores empresariais da HP e faz toda a diferença.

Após a fase da detecção, é fundamental assegurar de que há uma recuperação e uma “cura” da situação. Para isso, temos vindo a desenvolver tecnologia diferenciadora, que assegura que tudo isto é feito ao nível do hardware, na BIOS e no firmware. É aí que a HP está a trabalhar para garantir que, se uma máquina for infectada, é possível colocar em quarentena a zona suspeita e repor a máquina para um estado anterior à infecção.

Todas estas tecnologias inovadoras têm levado a que, nos últimos dois ou três anos, a maioria das consultoras tenha considerado os produtos HP como dos mais seguros do mundo. Isto acontece porque trabalhamos a nível do hardware, onde é muito difícil que os ataques tenham efeito.

Uma das recomendações aponta para a formação dos colaboradores em segurança da informação. De que forma a HP contribui para este objectivo?

Formar as pessoas para adoptarem comportamentos seguros é fundamental. Já em 2005, quando a HP entrou na área dos contratos de serviços de impressão, alertávamos os clientes para a necessidade de sistemas de segurança que evitassem que as folhas ficassem esquecidas nas bandejas das impressoras. E esta é uma falha humana, não tem nada a ver com tecnologia. Estes sistemas de segurança já eram uma preocupação nossa em 2005, e começaram a resolver o problema através de pins dos utilizadores na impressora ou cartões de autenticação.

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Nos últimos três ou quatro anos o Fórum Económico Mundial também elegeu a cibersegurança como um dos grandes problemas que iremos ter nos próximos 10 anos e a HP tem dado um grande enfoque a este tema.

“Nada está seguro” é um claim que temos vindo a utilizar para ir passando a mensagem. Ao longo destes últimos cinco anos, já levámos informação sobre segurança a milhares de clientes e parceiros. Temos feito workshops com os nossos clientes e com a Administração Pública para lhes explicar como podem incorporar a segurança nas suas especificações técnicas quando estão a comprar. Além disso, formamos especialistas na área de endpoint security advisor.

Hoje em dia os colaboradores das empresas têm uma grande mobilidade e trabalham diariamente com diversos equipamentos com acesso à rede da empresa, como computadores, tablets e telemóveis. Quais as respostas da HP, no âmbito do QNRCS, para a gestão de todo este ecossistema?

Os estudos dizem que quase dois terços da população já trabalham em mais do que um sítio, ou seja, não estão restritos a um posto de trabalho tradicional. Todas estas pessoas podem estar a trabalhar na empresa e em casa, mas também em cafés, aeroportos, meios de transporte… A única forma de tentarmos controlar, de alguma maneira, toda esta exposição ao risco, é garantir que os computadores para uso profissional sejam o mais seguros possível, mas os outros equipamentos também. De nada importa ter um computador muito seguro se, depois, em mobilidade, formos recorrer ao computador pessoal, que é mais leve, mas não tem o mesmo nível de segurança. Assim, é necessário que um equipamento seja o mais seguro possível, mas também transformável e adaptável a perfis de mobilidade. A HP tem equipamentos para isso, como os híbridos, que podem ser destacados como tablet, os convertíveis, que rodam o ecrã em 360 graus, e há computadores que pesam menos de 1 kg.

A HP tem também sistemas que ajudam a melhor gerir todos estes equipamentos. Há tecnologia, em cada um deles, que por si só faz o seu papel ao nível local, mas todos os portáteis da empresa serão mais seguros se forem melhor geridos. A HP tem soluções para essa gestão central e assim melhor garantir aspectos como as últimas actualizações em todos os computadores da rede, ou a monitorização para preventivamente detectar anomalias nos computadores e nas impressoras.

Devemos ter em conta que, se por vezes pensamos que a segurança dos computadores é negligenciada, a das impressoras é muito mais. As pessoas pensam que as impressoras só servem para imprimir e esquecem-se que estes equipamentos têm características parecidas com as de um computador: estão ligadas à rede, têm um disco rígido, têm ligação com portas externas, recebem e enviam e-mails, e por isso correm os mesmos riscos.

Há 10 anos, muitos dos ataques às empresas vinham das impressoras, porque foi a altura em que estas começaram a estar ligadas à rede, mas ainda ninguém as monitorizava de forma segura.

O QNRCS indica que as empresas devem ter e seguir um plano de recuperação durante e depois de um incidente. Como é que a HP pode ajudar na definição e implementação deste plano?

Tentamos, em primeiro lugar, tornar mais consciente a importância da segurança deste tipo de equipamentos. Pensar um plano de segurança, sem salvaguardarmos que temos uma política de gestão do equipamento que é adequada, não faz sentido. E é nesse sentido que ajudamos os nossos clientes a definir estas políticas. Fazemos muitos workshops com clientes, onde colocamos em cima da mesa toda a tecnologia que temos, as nossas recomendações, os equipamentos, etc. Um exemplo de recomendação frequente é a autenticação multilevel, que já muitas empresas praticam, mas não todas.

Quais são as grandes tendências de cibersegurança?

O randsomware e o malware vão continuar a ser cada vez mais massivos, mais violentos e com períodos de incubação mais curtos. Vai também haver uma grande tendência para que os ataques comecem a ser preparados ao nível do hardware nos equipamentos. É por isso que é importante que as empresas comecem a incorporar este tipo de ferramentas, mas a um nível mais baixo do que aquele a que estão habituadas. Quem produz este tipo de ameaças sabe que a esse nível é mais difícil entrar, mas quando se entra, a eficácia é muito maior. Os ataques ao nível de firmware e BIOS vão crescer exponencialmente nos próximos tempos.

De resto, vamos continuar a ter crescimento no phishing, no social engineering, etc. Felizmente, fruto da formação e da informação, as pessoas estão hoje muito mais alertadas para este tipo de situações.

Outra área que vai ter um crescimento significativo nos próximos anos é a dos ataques a smartphones. Até agora, por via da tecnologia que existe, com sistemas operativos muito fechados, não tem havido muitos casos. Mas essa é uma barreira que se transpõe facilmente, e é apenas uma questão de tempo.

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