Dois irmãos espancados quando tentavam travar encapuzados de queimar carros estacionados

São até ao momento as duas vítimas mais graves dos tumultos dos últimos dias

Revista de Imprensa
Outubro 24, 2024
8:57

Dois irmãos, de 22 e 24 anos, foram espancados na noite de terça-feira quando tentavam evitar que um grupo de encapuzados vandalizasse viaturas estacionadas e ateasse fogo às mesmas, avançou esta quinta-feira o ‘Correio da Manhã’.

São até ao momento as duas vítimas mais graves dos tumultos dos últimos dias: um dos irmãos foi esfaqueado oito vezes, sendo que o outro foi atingido com várias pedras na cabeça e perdeu vários dentes. Foram levados pela mãe para o Hospital de São Francisco Xavier, onde receberam tratamento e acabaram por ter alta na tarde desta quarta-feira.



Os dois irmãos, que vivem perto da Portela de Carnaxide, em Oeiras, não constam da estatística avançada pela PSP uma vez que só depois da saída do hospital é que foi formalizada a queixa. O caso está a ser investigado pelas autoridades como um crime de ofensas à integridade física, que poderá mesmo tornar-se em tentativa de homicídio. No mesmo local, foi roubado o autocarro que depois foi incendiado e largado numa descida, tendo parado junto a um prédio.

A região da Grande Lisboa tem registado diversos focos de tumultos na sequência da morte de Odair Moniz, 43 anos, cidadão cabo-verdiano, e morador no Bairro do Zambujal, na Amadora, que foi baleado por um agente da PSP na madrugada de segunda-feira, no Bairro da Cova da Moura, no mesmo concelho, e morreu pouco depois, no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa.

Segundo a PSP, o homem pôs-se “em fuga” de carro depois de ver uma viatura policial e “entrou em despiste” na Cova da Moura, onde, ao ser abordado pelos agentes, “terá resistido à detenção e tentado agredi-los com recurso a arma branca”.

A associação SOS Racismo e o movimento Vida Justa contestaram a versão policial e exigiram uma investigação “séria a isenta” para apurar “todas as responsabilidades”, considerando que está em causa “uma cultura de impunidade” nas polícias.

A Inspeção-Geral da Administração Interna abriu um inquérito urgente e também a PSP anunciou um inquérito interno, enquanto o agente que baleou o homem foi constituído arguido.

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