Donald Trump pode ser visto como um ativo russo, embora não no sentido tradicional de um agente ativo ou um recurso recrutado, indicou esta quinta-feira um ex-vice-diretor do FBI que trabalhou para o antigo presidente dos Estados Unidos.
Numa entrevista ao podcast ‘One Decision’, coapresentado por sir Richard Dearlove, ex-chefe do MI6, o serviço de inteligência britânico, Andrew McCabe – que Trump demitiu em 2018 – indicou que “não sei se o caracterizaria como um ativo, recrutado, e em ação, da forma como as pessoas na comunidade de inteligência pensam nesse termo”.
“Mas acho que Trump deu-nos muitas razões para questionar a sua abordagem ao problema da Rússia nos Estados Unidos, e acho que a sua abordagem para interagir com Vladimir Putin , seja por telefonemas, reuniões cara a cara, as coisas que disse em público sobre Putin, todas levantam questões significativas”, referiu.
McCabe fez parte da liderança do FBI, brevemente como diretor interino, durante investigações sobre a interferência russa na eleição de 2016 e ligações entre Trump e Moscovo. Trump viria a demitir McCabe em março de 2018, dois dias antes da sua reforma. McCabe foi então alvo de uma investigação criminal, por alegadamente ter mentido sobre uma fuga dos media. A investigação foi encerrada em 2020.
“Há que ter algumas perguntas muito sérias sobre por que Trump tem esse tipo de admiração bajuladora por Putin de uma forma que nenhum outro presidente americano, republicano ou democrata, jamais teve. Acho que o outro lado desse espectro seria que há algum tipo de relacionamento ou um desejo por um relacionamento de algum tipo, seja ele económico ou orientado para os negócios”, explicou McCabe.
Andrew McCabe destacou ainda que tem “preocupações muito sérias” sobre a perspetiva de um segundo mandato de Trump, sobretudo pela capacidade da Rússia de interferir nos assuntos dos EUA. “O desejo deles de causar estragos ou danos no nosso sistema político é algo que vem a acontecer há anos, décadas – o interesse deles em simplesmente semear caos, divisão e polarização. Se eles conseguem fazer isso, é uma vitória. Se eles conseguem realmente prejudicar um candidato de quem não gostam, ou ajudar um de quem gostam, é uma vitória ainda maior”, concluiu.








