Hoje, quarta-feira, a Comissão de Economia, Obras Públicas e Habitação do Parlamento vai acolher uma audiência com o Tribunal de Contas, a pedido do PSD, para discutir a gestão da ANA Aeroportos. Esta sessão marca o início de um dia decisivo, com várias votações importantes a decorrer, incluindo múltiplos requerimentos relacionados com a TAP, a Portway e as telecomunicações em Portugal.
A audiência do Tribunal de Contas ocorre num contexto em que o relatório da Inspeção-Geral de Finanças (IGF) sobre a TAP tem vindo a suscitar intensos debates no Parlamento. Este relatório levanta suspeitas sobre a privatização da TAP em 2015 e aponta para possíveis irregularidades na compra de aviões Airbus, o que motivou o PSD a exigir esclarecimentos adicionais.
Foco do PSD na Audição do Tribunal de Contas
O PSD solicitou esta audição com o objetivo de aprofundar o escrutínio sobre a gestão da ANA Aeroportos, uma das maiores concessionárias de infraestruturas aeroportuárias do país. A relação entre a ANA e o desenvolvimento dos aeroportos portugueses tem sido um tema central de debate, especialmente em relação à expansão do aeroporto de Lisboa e à crescente pressão sobre as infraestruturas aeroportuárias devido ao aumento do turismo.
Além disso, o partido pretende discutir as conclusões da auditoria da IGF sobre as contas da TAP, particularmente os contratos assinados em 2015 durante a privatização da companhia aérea. O PSD tem vindo a alertar para a necessidade de esclarecer o impacto financeiro desta operação e os contratos de compra de aeronaves Airbus, que poderão ter resultado em prejuízos consideráveis para o Estado.
Votações de Requerimentos
Para além da audição do Tribunal de Contas, os deputados da comissão irão votar vários requerimentos apresentados por diferentes partidos. As propostas em discussão cobrem uma ampla gama de temas, desde a segurança nos aeroportos até ao plano de negócios da CP – Comboios de Portugal, e incluem questões críticas sobre a TAP. Aqui está a lista completa dos requerimentos a serem votados hoje:
- Requerimento do Chega (CH) para a audição da Direção de Recursos Humanos da Portway, do presidente do Turismo do Porto e Norte, da Direção de Recursos Humanos da Menzies Portugal, do CEO da ANA, dos líderes dos sindicatos STTAMP e STAMA, e do representante do acionista minoritário da TAP, sobre o funcionamento e segurança nos aeroportos, com foco nas entradas e saídas do país por via aérea.
- Requerimento do Bloco de Esquerda (BE) para a audição do ministro das Infraestruturas e da Habitação e do Conselho de Administração da CP – Comboios de Portugal, E.P.E. sobre o plano de negócios da empresa.
- Requerimento do Partido Comunista Português (PCP) para a audição da ANACOM sobre o aumento dos custos das telecomunicações em Portugal.
- Requerimento da Iniciativa Liberal (IL) para a audição, com caráter de urgência, do ministro das Infraestruturas e Habitação e do secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações durante o XX Governo Constitucional, Miguel Pinto Luz, da ministra do Estado e das Finanças do XIX e XX Governo Constitucional, Maria Luís Albuquerque, do secretário de Estado das Obras Públicas, Transportes e Comunicações do XIX Governo Constitucional, Sérgio Silva Monteiro, e do ex-presidente da Parpública, Pedro Ferreira Pinto.
- Requerimento do Partido Animais e Natureza (PAN) para audições referentes às conclusões do relatório da auditoria da IGF relativa às contas da TAP, incluindo António Manuel Ferreira dos Santos (inspetor-geral da IGF), o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, Maria Luís Albuquerque (ex-ministra das Finanças), Sérgio Monteiro (antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações), Pedro Ferreira Pinto (antigo presidente da Parpública), e João Leão (ex-ministro das Finanças).
- Requerimento do Chega (CH) para a audição da ex-ministra de Estado e das Finanças, do ministro das Infraestruturas e Habitação e dos auditores da IGF sobre o relatório que admite suspeitas de crime na privatização da TAP em 2015.
- Requerimento do Partido Socialista (PS) para audições no seguimento do relatório da IGF às contas da TAP, envolvendo o ministro das Infraestruturas e Habitação, o secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações do XX Governo, Miguel Pinto Luz, a ministra das Finanças dos XIX e XX Governos, Maria Luís Albuquerque, o ex-presidente da Parpública, Pedro Ferreira Pinto, e o secretário de Estado das Infraestruturas do XIX Governo, Sérgio Monteiro.
- Requerimento do PSD para audições sobre o relatório da auditoria às contas da TAP da IGF.
- Requerimento do PCP para a audição da ex-ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, sobre o relatório da IGF de auditoria às contas da TAP.
- Requerimento da Iniciativa Liberal (IL) para audições no seguimento do relatório da IGF às contas da TAP, convocando José Sócrates (antigo primeiro-ministro), Diogo Lacerda Machado (antigo administrador da GEOCAPITAL – Investimentos Estratégicos, SA), Fernando Pinto (antigo presidente do Conselho Executivo da TAP), Pedro Marques (antigo ministro do Planeamento e das Infraestruturas), Mário Centeno (antigo ministro das Finanças), Pedro Nuno Santos (antigo ministro das Infraestruturas e Habitação), João Leão (ex-ministro de Estado e das Finanças), David Neeleman (antigo acionista da TAP), e Sérgio Rodrigues (antigo presidente do Conselho Fiscal da TAP).
- Requerimento do PSD para o envio do relatório preliminar de auditoria do Tribunal de Contas à Efacec.
Expectativas sobre a Audição e as Votações
Com estas votações e audições, o Parlamento estará a focar-se em algumas das questões mais sensíveis e críticas relacionadas com a gestão de infraestruturas e empresas públicas. A audição do Tribunal de Contas, em particular, será central para o esclarecimento de dúvidas pendentes sobre a privatização da TAP e a gestão da ANA Aeroportos. As conclusões desta reunião poderão moldar futuras ações parlamentares e governamentais, influenciando a gestão de importantes ativos estratégicos do país.
Os partidos da oposição, liderados pelo PSD, estão determinados a pressionar por maior transparência e responsabilização, especialmente no que toca às operações da TAP e aos contratos estabelecidos com a Airbus em 2015, que continuam a gerar controvérsia.












