Taxa de suicídio entre jovens dispara e atinge valor mais alto dos últimos 20 anos

A taxa de mortalidade por suicídio entre jovens na faixa etária dos 15 aos 24 anos atingiu, em 2022, o nível mais elevado dos últimos 20 anos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente subiu para 4,9 por 100 mil habitantes, um aumento significativo face aos 3,2 registados em 2021. Especialistas alertam para o aumento de quadros de depressão, ansiedade e autolesões, destacando a necessidade urgente de reforçar os serviços de saúde mental, bem como de investir no apoio às famílias e escolas. Números alarmantes: jovens do sexo masculino em…

Revista de Imprensa

A taxa de mortalidade por suicídio entre jovens na faixa etária dos 15 aos 24 anos atingiu, em 2022, o nível mais elevado dos últimos 20 anos. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de óbitos por lesões autoprovocadas intencionalmente subiu para 4,9 por 100 mil habitantes, um aumento significativo face aos 3,2 registados em 2021. Especialistas alertam para o aumento de quadros de depressão, ansiedade e autolesões, destacando a necessidade urgente de reforçar os serviços de saúde mental, bem como de investir no apoio às famílias e escolas.

Números alarmantes: jovens do sexo masculino em maior risco

Em 2022, registaram-se 53 suicídios entre adolescentes e jovens com idades entre os 15 e os 24 anos, o que representa um aumento de 18 casos em comparação com 2021, segundo revela a análise feita pelo Jornal de Noticias (JN). A maioria das vítimas eram rapazes, que representaram 77% dos óbitos, com uma taxa de 7,4 por 100 mil habitantes, enquanto nas raparigas a taxa foi de 2,3.



No grupo etário dos 20 aos 24 anos, foram contabilizados 35 suicídios, enquanto entre os jovens dos 15 aos 19 anos se registaram 18 casos. A situação é especialmente preocupante nas regiões do Norte e da Grande Lisboa, onde ocorreram 13 e 12 óbitos, respetivamente, sendo seis deles na Área Metropolitana do Porto. Além disso, houve quatro suicídios registados entre crianças dos 10 aos 14 anos, o que agrava ainda mais o panorama trágico.

Aumento de depressão e ansiedade entre os jovens

O psiquiatra Daniel Sampaio considera em declarações ao mesmo jornal que o aumento dos casos de suicídio está diretamente relacionado com o crescimento de situações de depressão e ansiedade entre os jovens. “É um problema de dimensão mundial”, afirma, sublinhando que o agravamento das condições de saúde mental entre os adolescentes tem intensificado o risco de suicídio.

A diretora do serviço de psiquiatria do Hospital Beatriz Ângelo, Maria João Heitor, corrobora ao JN esta análise, referindo que “23% dos jovens já tiveram pensamentos ou atos suicidas”. A médica realça que a desesperança que leva ao suicídio “é um grave problema de saúde pública” e aponta a pandemia e as crises económicas como fatores que têm exacerbado a insegurança, medo e tensão entre os jovens.

Estudos conduzidos por associações académicas revelam que um em cada cinco estudantes pensou em suicidar-se pelo menos uma vez durante o período da pandemia, um reflexo da crise de saúde mental que continua a assolar a juventude. Este declínio no bem-estar psicológico é mais pronunciado entre os adolescentes mais velhos e do género feminino, de acordo com Margarida Gaspar de Matos, coordenadora científica do Observatório da Saúde Psicológica e Bem-Estar, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC).

A Organização Mundial da Saúde (OMS), através de um estudo internacional (HBSC), aponta para um aumento preocupante das autolesões entre os adolescentes. A percentagem de jovens que referem este comportamento passou de cerca de 15% para mais de 20% nos últimos anos. Margarida Gaspar de Matos salienta a importância de promover estratégias eficazes de autorregulação entre os adolescentes, alertando que a falta de ação pode levar a consequências ainda mais graves.

Os especialistas ouvidos pelo jornal são unânimes em destacar a necessidade urgente de um reforço dos recursos no campo da saúde mental, especialmente entre as crianças e os jovens. Maria João Heitor sublinha que, embora a população de crianças e jovens tenha diminuído para metade entre o início dos anos 80 e 2022, mais de 20% deste grupo vive em situações de pobreza, um dos principais determinantes de problemas de saúde mental.

A psiquiatra defende uma aposta sólida na promoção da saúde mental e na prevenção de doenças mentais, apelando a um aumento dos recursos para garantir cuidados multidisciplinares adequados a crianças, adolescentes e jovens adultos, bem como às suas famílias.

Margarida Gaspar de Matos reforça a importância de um apoio continuado às famílias, particularmente aquelas com antecedentes de risco, e às escolas, para que estas possam identificar e lidar com sinais precursores de problemas de saúde mental entre os alunos. Para isso, sublinha a necessidade de reforçar os serviços de saúde de base comunitária, onde a oferta de profissionais de psicologia é reduzida e os tempos de resposta são frequentemente demorados.

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