Trump e respetivos aliados plantam sementes de “caos e discórdia”: teorias da conspiração preparam terreno para eventual derrota, alertam especialistas

A possível iniciativa de Trump e os aliados MAGA ecoam algumas falsidades de 2020 sobre fraudes que envolveram máquinas de voto e urnas, mas agora estendem os ataques aos promotores federais e estaduais que avançaram com acusações criminais contra o ex-presidente para tentar subverter a sua derrota em 2020

Francisco Laranjeira

Uma eventual derrota de Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, a 5 de fevereiro, vai potenciar a disseminação de teorias da conspiração: o ex-presidente e os seus aliados negacionistas das eleições da ‘Turning Point USA’, ‘True the Vote’ e outros partidários MAGA estão a espalhar teorias da conspiração sobre fraudes eleitorais para preparar o terreno para acusações de que a eleição foi alvo de fraude caso Trump perca, alertaram esta terça-feira especialistas eleitorais e alguns veteranos republicanos.

As consequências desta estratégia podem ser terríveis, alertou John Giles, político republicano de Mesa (Arizona), durante um discurso na Convenção Nacional Democrata, salientando que o ex-presidente Trump e os seus aliados “jogarão tudo à parede e verão o que acontece”, se Trump perder. “Vão alegar que tudo deu errado se perderem. Eu ficaria surpreendido se Trump não tentasse fomentar a insurreição se perder a eleição.”



A possível iniciativa de Trump e os aliados MAGA ecoam algumas falsidades de 2020 sobre fraudes que envolveram máquinas de voto e urnas, mas agora estendem os ataques aos promotores federais e estaduais que avançaram com acusações criminais contra o ex-presidente para tentar subverter a sua derrota em 2020.

A ‘Turning Point USA’, por exemplo, promoveu uma campanha multimilionária para conseguir mais votos para Trump em estados decisivos, ao mesmo tempo em que realizou alguns grandes comícios para Trump, onde ainda são feitas alegações falsas de que a eleição de 2020 foi alvo de fraude, que levantaram novos receios sobre uma possível fraude neste ano.

Durante meses, Donald Trump denunciou “interferência eleitoral” e “guerra jurídica” para manchar as acusações federais e estaduais que enfrenta pelos seus múltiplos e agressivos esforços para impedir que Joe Biden assumisse o cargo a 6 de janeiro de 2021, uma tática que visa reunir os seus apoiantes e enfraquecer o Estado de Direito, de acordo com os especialistas.

Tal como em 2016 e 2020, Trump hesitou em comprometer-se antecipadamente em aceitar os resultados das eleições. “Se for uma eleição justa, legal e boa – com certeza”, apontou o ex-presidente, durante o debate com Joe Biden. No entanto, viria a repetir a falsa alegação de que as eleições dos EUA estão cheias de fraudes para justificar os seus esforços para reverter a sua derrota de 2020. “Eu teria preferido aceitar isso – mas a fraude e todo o resto foram ridículos.”

“Trump continua a encorajar os seus apoiantes, como Charlie Kirk, da ‘Turning Point USA’, a questionar a integridade das nossas eleições”, denunciou o ex-congressista republicano Dave Trott, de Michigan, aos britânicos ‘The Guardian’. “Ele não tem provas ou base para alegar fraude e esta´apenas a perpetuar essas mentiras. Ele tem um plano B para interromper a democracia se perder.”

“Há muitas alegações falsas disfarçadas como esforços para mudar a política para melhorar a integridade eleitoral quando, na verdade, são apenas projetadas para semear a desconfiança no nosso sistema se Trump perder”, apontou David Becker, que lidera o ‘Center for Election Innovation and Research’. “Tudo isso é projetado para fabricar alegações de que, se Trump perder, a eleição foi roubada e para semear discórdia, caos e violência potencial.”

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