“Estamos de mãos atadas. Pedimos desculpa”: Mongólia revela o motivo por não ter prendido Putin

Porta-voz do Governo mongol sublinhou esta terça-feira que o país se encontra numa posição de dependência energética, tornando difícil algemar Putin ao mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre crimes de guerra na Ucrânia

Francisco Laranjeira

“Estamos de mãos atadas. Pedimos desculpas a todos.” Esta foi a mensagem do Governo da Mongólia depois de ter falhado, esta segunda-feira, em executar um mandado de prisão internacional contra o presidente russo Vladimir Putin, que está em visita oficial ao país.

De acordo com o jornal ‘POLITICO’, um porta-voz do Governo mongol sublinhou esta terça-feira que o país se encontra numa posição de dependência energética, tornando difícil algemar Putin ao mandado do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre crimes de guerra na Ucrânia. “A Mongólia importa 95% dos seus produtos de petróleo e mais de 20% de eletricidade de nossa vizinhança imediata, que anteriormente sofreu interrupção por razões técnicas. Este fornecimento é crítico para garantir a nossa existência e a de nosso povo”, sustentou o porta-voz.



“A Mongólia sempre manteve uma política de neutralidade em todas as suas relações diplomáticas, como demonstrado nas nossas declarações registadas até ao momento”, acrescentou o porta-voz.

A Mongólia, um vasto país de 3,3 milhões de pessoas, fica num ponto geográfico estranho, sem litoral, entre as super-potências Rússia e China – andou na ‘corda bamba’ diplomática para evitar alienar qualquer um dos seus vizinhos com quem tem extensos laços históricos e económicos, sendo que a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia não mudou esse cálculo para o Governo em Ulaanbaatar, a capital da Mongólia.

A Mongólia, no entanto, é membro do TPI, que em março do ano passado emitiu um mandado de prisão internacional para Putin por crimes de guerra relacionados à deportação e transferência de crianças de áreas ocupadas da Ucrânia para a Rússia. Qualquer membro do TPI é obrigado a agir de acordo com os mandados do tribunal, mas a Mongólia não o fez, pelo que provavelmente vai enfrentar um processo pela sua inação.

A União Europeia, a Ucrânia e organizações internacionais de direitos humanos como a Amnistia Internacional instaram o Governo mongol a agir de acordo com as suas obrigações: Heorhii Tykhii, porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, chamou à falha da Mongólia em prender Putin “um duro golpe para o TPI e para o sistema de justiça criminal internacional”.

“A Mongólia permitiu que o criminoso indiciado escapasse da justiça, partilhando assim a responsabilidade pelos seus crimes de guerra. Trabalharemos com parceiros para garantir que isso tenha consequências para Ulaanbaatar”, acrescentou Tykhii.

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