Início do ano escolar: Fenprof alerta para a falta de professores e de soluções do Governo

Em comunicado, o sindicato apontou que “há escolas em que a resposta à falta de docentes poderá passar por sobrecarregar ainda mais os que integram os seus quadros, boa parte já apresentando sinais de grande cansaço”

Francisco Laranjeira

Os professores estão de regresso às escolas esta segunda-feira, a partir das 11 horas: a Fenprof (Federação Nacional dos Professores) vai assinalar a data na Escola Secundária José Gomes Ferreira, em Lisboa para divulgar “as suas expetativas para um ano (2024/2025) que continuará marcado pela falta de professores, problema que não tem merecido solução, pois a opção do(s) Governo(s) tem sido a de aprovar medidas que, independentemente da intenção, revelam falta de ambição”.

Em comunicado, o sindicato apontou que “há escolas em que a resposta à falta de docentes poderá passar por sobrecarregar ainda mais os que integram os seus quadros, boa parte já apresentando sinais de grande cansaço”.



Mais: “Será um ano em que as escolas, para além da tentativa de implementação do Plano + Aulas + Sucesso, contido no DL 51/2024, irão, ainda, iniciar o processo de recuperação do tempo de serviço dos docentes e integrar milhares de novos alunos, muitos deles de famílias imigrantes, o que exigirá um esforço acrescido e o reforço de recursos, incluindo humanos”.

O Governo anunciou, no passado dia 22, “duas medidas, alegadamente destinadas a atrair docentes para escolas onde continuam a faltar. Quer o anunciado ‘subsídio’ a atribuir a docentes deslocados da área de residência quer o concurso de vinculação extraordinário de docentes em vagas existentes em escolas/agrupamentos e em determinadas disciplinas são medidas que, pela sua natureza, terão de se sujeitar a processo de negociação coletiva como, aliás, foi referido pelo Governo”.

Sobre as duas matérias em questão, a Fenprof reiterou as posições que já manifestou no passado:

– Todos os docentes que se encontram deslocados da respetiva área de residência deverão receber um suplemento remuneratório que lhes permita fazer face a despesas acrescidas de deslocação e habitação, sob pena de se atenuar o problema em determinadas áreas e criá-lo noutras. Além disso, será necessário compreender por que razão se pretende impor uma distância superior a 70 quilómetros para atribuição do “subsídio” e se os mesmos são medidos em linha reta ou por estrada. É também necessário discutir o valor do suplemento, pois, de acordo com a lógica anunciada na conferência de imprensa do governo, um docente colocado a 100 quilómetros de casa terá um “subsídio” de 100 euros que valor que fica muito aquém do que gastaria em habitação ou deslocação diária se, eventualmente, fosse essa a opção;

– Quanto à vinculação de docentes, o que a FENPROF defende é que todos os postos de trabalho (horários) que correspondam a necessidades permanentes deverão ser ocupados por trabalhadores (docentes) dos quadros. O problema, contudo, reside no facto de faltarem professores para todos os horários a preencher, daí não ter havido candidatos aos mesmos. Ver-se-á qual o regime de concurso extraordinário que será aplicado, ficando, desde já, claro que, para a FENPROF, deverá obedecer ao critério da graduação profissional.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.