Pela segunda vez em dois anos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, esta quarta-feira, a Mpox como emergência de saúde pública global, revelou a agência ‘France-Presse’.
Esta decisão a nível global é anunciada no dia seguinte a África ter declarado por todo o continente que esta era uma emergência de saúde pública. A reunião foi convocada pelo diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na sequência do ressurgimento do Mpox este ano.
Uma nova estirpe (“clade 1b”) foi detetada na República Democrática do Congo (RDCongo) em setembro de 2023 e depois notificada em vários países vizinhos.
Esta estirpe “provoca doenças mais graves do que o clade 2”, segundo o responsável da OMS.
“É evidente que é essencial uma resposta internacional coordenada para travar estes surtos e salvar vidas”, adiantou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Isto é algo que nos devia preocupar a todos… O potencial para uma disseminação além África é muito preocupante”, disse o diretor geral da Organização Mundial de Saúde.
“A OMS está no terreno, trabalhando com os países afetados e outros em risco, através dos nossos escritórios nacionais e regionais, bem como com parceiros, incluindo CDC de África, ONG, sociedade civil e muito mais”, apontou o especialista, na rede social ‘X’.
A 11 de julho último, a OMS alertou para a ameaça global à saúde representada pelo mpox, manifestando preocupação com um surto de uma nova estirpe mais mortífera do vírus na RDC, que já reportou mais de 11.000 casos e 450 mortes.
Desde então, Burundi, Costa do Marfim, Quénia, Ruanda e Uganda anunciaram que registaram vários casos de mpox.
Segundo a OMS, a nova estirpe é transmissível entre pessoas e causa doença grave, sobretudo em adultos, e morte, desconhecendo-se ainda se é mais transmissível.
A infeção pelo mpox foi declarada uma emergência de saúde pública internacional em julho de 2022 e até maio de 2023, altura em que deixou de ser considerada uma ameaça.
A “varíola dos macacos” é uma doença viral que se propaga dos animais para os seres humanos, mas também é transmitida por contacto físico próximo com uma pessoa infetada com o vírus.
Desde janeiro de 2022, foram registados 38.465 casos em 16 países africanos, com 1.456 mortes, incluindo um aumento de 160% dos casos em 2024 em comparação com o ano anterior, de acordo com dados publicados na semana passada pelo África CDC.
O Mpox foi descoberto pela primeira vez em seres humanos em 1970, na atual RDCongo (antigo Zaire), com a propagação do subtipo Clade I (do qual a nova variante é uma mutação), que desde então tem estado principalmente confinado a países da África Ocidental e Central, onde os doentes são geralmente infetados por animais infetados.
Em 2022, uma epidemia mundial do subtipo clade 2 propagou-se a uma centena de países onde a doença não era endémica, afetando principalmente homens homossexuais e bissexuais.
A OMS declarou um alerta máximo em julho de 2022 em resposta a este surto mundial, mas levantou-o menos de um ano depois, em maio de 2023. A epidemia causou cerca de 140 mortes num total estimado de 90.000 casos.
Today, the Emergency Committee on #mpox met and advised me that in its view, the situation constitutes a public health emergency of international concern. I have accepted that advice.@WHO is on the ground, working with the affected countries, and others at risk, through our…
— Tedros Adhanom Ghebreyesus (@DrTedros) August 14, 2024







