Khalid Sheikh Mohammed, considerado o cérebro por trás dos atentados de 11 de setembro de 2001, e dois dos seus cúmplices na prisão militar dos Estados Unidos na base naval de Guantánamo, em Cuba, concordaram em declarar-se culpados das acusações de conspiração e assassínio. O anúncio foi feito pelo Pentágono, que não forneceu detalhes adicionais sobre os acordos de confissão.
De acordo com uma fonte que falou à Reuters sob condição de anonimato, os acordos envolvem confissões de culpa em troca da exclusão da pena de morte. O jornal The New York Times confirmou que os acusados optaram por evitar um julgamento que pudesse resultar na pena capital, aceitando, em vez disso, uma sentença de prisão perpétua. Este acordo visa proporcionar alguma forma de “justiça” para as famílias das quase 3.000 vítimas dos ataques.
Khalid Sheikh Mohammed é o recluso mais notório da prisão de Guantánamo, inaugurada em 2002 pelo então Presidente dos EUA, George W. Bush, para deter combatentes estrangeiros suspeitos de terrorismo após os ataques de 2001. A prisão atualmente alberga 30 pessoas, embora tenha chegado a ter 800 detidos no auge.
Mohammed, de 59 anos, é um engenheiro que estudou nos Estados Unidos e um jihadista declarado. É acusado de ter elaborado o plano para desviar aviões comerciais e atacá-los contra o World Trade Center, em Nova Iorque, e o Pentágono. Os procuradores afirmam que apresentou o plano a Osama bin Laden em 1996 e ajudou a treinar alguns dos sequestradores dos aviões. Os ataques de 11 de setembro precipitaram a intervenção dos EUA no Afeganistão, que duraria duas décadas.
Os interrogatórios a que foi submetido têm sido amplamente criticados. Um relatório do Comité de Inteligência do Senado dos EUA, divulgado em 2014, revelou que Mohammed foi submetido a técnicas de tortura, incluindo afogamento, pelo menos 183 vezes.
Além de Mohammed, Walid Bin Attash e Mustafa al-Hawsawi, outros dois detidos envolvidos nos ataques, também chegaram a acordos, conforme anunciado pelo Pentágono. Os três foram formalmente acusados e julgados em 5 de junho de 2008 e novamente em 5 de maio de 2012. Hawsawi e Mohammed foram capturados juntos no Paquistão em março de 2003 e mantidos em prisões secretas da CIA até serem transferidos para Guantánamo em setembro de 2006.
A decisão de negociar acordos de confissão gerou críticas, incluindo do líder republicano do Senado, Mitch McConnell, que condenou a administração do Presidente democrata Joe Biden. “A única coisa pior do que negociar com terroristas é negociar com eles depois de estarem sob custódia”, afirmou McConnell, acusando o governo de “covardia diante do terror.”
Os três homens ainda terão de enfrentar outro julgamento, que, segundo o New York Times, não deverá ocorrer antes do próximo ano. A decisão de aceitar os acordos e evitar o julgamento completo marca um ponto significativo na longa e controversa saga dos ataques de 11 de setembro.




