Agência europeia denuncia “violações generalizadas de direitos” dos migrantes nas fronteiras da UE

Num relatório contundente sobre a situação nas fronteiras do bloco europeu, é também revelado que os Governos nacionais raramente investigavam tais violações

Francisco Laranjeira

A Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia (FRA) denunciou, esta terça-feira, que migrantes e refugiados são frequentemente sujeitos a tratamento degradante pelas forças de segurança de fronteiras dos Estados-membros.

Num relatório contundente sobre a situação nas fronteiras do bloco europeu, é também revelado que os Governos nacionais raramente investigavam tais violações.

O estudo concentrou-se em países fronteiriços nos Balcãs e no Mediterrâneo, salientando que Grécia, Hungria e Croácia, em particular, “não investigaram efetivamente incidentes de maus-tratos e perdas de vidas durante a gestão de fronteiras”.

De acordo com a FRA, estes países, apesar de “alegações confiáveis” de maus-tratos, fizeram “esforços insuficientes para localizar e ouvir vítimas e testemunhas, dificultando o trabalho dos advogados e sem acesso a provas importantes [como imagens de vigilância de fronteira]”.

O relatório observa que estão a chegar cada vez mais casos ao Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que decidiu cinco vezes até ao momento que não foram devidamente investigados casos confiáveis de abuso.

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Em 2023, um relatório do Comité para a Prevenção da Tortura (CPT) do Conselho da Europa destacou histórias de migrantes que eram despidos, espancados e submetidos a detenções prolongadas que violam a lei europeia.

Em junho último, uma investigação da ‘BBC’ descobriu que a guarda costeira grega foi responsável por pelo menos 40 mortes ao longo de três anos ao forçar refugiados a voltarem para o mar, incluindo nove que foram “deliberadamente atirados à água”.

Segundo a FRA, a intimidação e o medo de retaliação contra os seus procedimentos de asilo impediram muitos migrantes de denunciar abusos: em alguns países, como no Chipre, há penalidades financeiras para quem faz uma alegação que as autoridades venham considerar como falsa.

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O relatório também observa que, depois de falar com refugiados da África em 13 Estados-membros, raramente foram registados incidentes racistas porque os migrantes acreditavam que “nada mudaria”.

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