A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024, marcada para esta sexta-feira, irá enfrentar um potencial “desastre” meteorológico, que pode comprometer o evento de forma significativa. A previsão de mau tempo poderá transformar a celebração única em algo inesperadamente problemático, à medida que Paris se prepara para receber uma das maiores cerimónias olímpicas dos últimos anos.
Patrick Marliere, chefe da meteorologia independente Agate Meteo, alertou para as condições meteorológicas extremas que se avizinham. Em declarações à rádio francesa RMC, Marliere descreveu a situação como um “desastre” iminente, afirmando que “será um desastre durante estas poucas horas”. Segundo o especialista, os modelos meteorológicos, após análise detalhada, confirmam que a previsão de mau tempo para a cerimónia é bastante sólida. “Estamos a executar modelos, fazendo um círculo completo, comparando todos os modelos meteorológicos, mas infelizmente tudo confirma esta tendência para o início e o final desta noite. Não poderemos evitá-la”, sublinhou Marliere.
A previsão da Meteo France indica que Paris enfrentará chuvas intensas durante o evento, com uma quantidade de precipitação esperada entre 25 mm a 30 mm por metro quadrado entre as 18h00 e a meia-noite de sexta-feira. Este volume de chuva corresponde ao que normalmente se registaria em 15 dias de chuva, o que poderá ter um impacto devastador nas festividades ao ar livre.
A cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 é particularmente notável por sair do formato tradicional de estádio, optando por uma celebração ao longo das margens e nas águas do rio Sena. Este evento inovador visa proporcionar uma experiência única para os atletas e espectadores, com a presença de líderes mundiais e celebridades globais. No entanto, o previsto mau tempo coloca em risco a realização de um espetáculo que foi planeado para ser uma das grandes atrações dos Jogos Olímpicos.
O rio Sena e os monumentos emblemáticos de Paris serão hoje palco da cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, a primeira realizada fora de um estádio e ao pôr-do-sol, que permanece ainda envolta em mistério.
Apenas uma dezena de pessoas, entre as quais a romancista Leïla Slimani, o historiador Patrick Boucheron ou a argumentista Fanny Herrero, conhecem o roteiro do espetáculo de quase quatro horas, que terá início às 19:30 locais (18:30 em Lisboa) e que procurará quebrar convenções ao desenrolar-se pela primeira vez ‘fora de portas’.
Entre 6.000 a 7.000 atletas, dos 10.500 que participarão em Paris2024, vão desfilar em 85 barcos no rio Sena, decorados com as cores das suas delegações, desde a ponte de Austerlitz até à Torre Eiffel e ao Trocadéro, ponto final do espetáculo.
No centro da cerimónia de abertura, que marca o arranque oficial dos XXXIII Jogos Olímpicos, estarão monumentos emblemáticos da capital francesa, como Notre-Dame, o museu do Louvre ou o museu d’ Orsay, num espetáculo que unirá o desporto e a arte no ‘coração’ da ‘Cidade Luz’.
Protagonizada por cerca de 3.000 dançarinos, músicos ou comediantes, que tomarão de ‘assalto’ as margens, as pontes e até o céu, esta gigantesca coreografia estender-se-á por seis quilómetros, ao longo dos quais estarão 326.000 espetadores.
Escrita, entre outros, por Leïla Slimani, Patrick Boucheron e Fanny Herrero, a cerimónia dos terceiros Jogos parisienses é o contrário de “uma história heróica”, jogando antes com o humor e os clichés, descreveram os seus autores.
Inspirado na cerimónia imaginada por Jean-Paul Goude para o bicentenário da Revolução Francesa, em 1989, o desfile que abrirá os Jogos Olímpicos desmistifica os estereótipos nacionais, lançando uma mensagem de otimismo, com um cunho indelével de França: a promessa de liberdade.
Na cerimónia de abertura vai estar presente o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, com Portugal representado em Paris2024 por 73 atletas, de 15 modalidades.
Os Jogos Olímpicos decorrem até 11 de agosto, consagrando 329 campeões e distribuindo 1.017 medalhas.
*Com Lusa




