Quem são os poderosos tramados pelas denúncias do “pirata” Rui Pinto

Luanda Leaks, E-Toupeira e Malta Files são alguns dos casos em que o nome Rui Pinto aparece.

Filipa Almeida

Rui Pinto assumiu, hoje, ser o responsável pela divulgação dos documentos que dão conta das acções de Isabel dos Santos que fizeram com que a empresária angolana estivesse no centro de uma polémica de dimensão internacional.

Em prisão preventiva, Rui Pinto recorreu aos seus advogados para comunicar ao mundo a sua ligação ao caso. Em comunicado, o hacker diz ter fornecido, no final de 2018, à Plataforma para Protecção de Whistleblowers em África (PPLLAF) um disco rígido com documentos sobre a fortuna de Isabel dos Santos, tal como aponta a revista Sábado.



Mas esta não é a primeira vez que o hacker português surge envolvido em operações do género. O nome de Rui Pinto tornou-se conhecido, aliás, graças à divulgação pública de centenas de emails com o SL Benfica como elo de ligação. As mensagens deram origem a uma investigação criminal, em 2017, e a um conjunto de buscas.

Na altura, um juiz de instrução concluiu que as informações disponibilizadas por Rui Pinto e outras diligências da própria Polícia Judiciária “respeitam à suspeita da actuação de responsáveis do SLB SAD, que, em conluio com personalidades do mundo do futebol e da arbitragem, procuraram exercer pressão e influência junto de responsáveis da arbitragem e outras estruturas de decisão do futebol nacional, tendo em vista influir na nomeação e classificação de árbitros nesse âmbito”.

Rui Pinto esteve envolvido também na divulgação dos dados que culminaram no caso E-Toupeira e na suspeita de que Paulo Gonçalves, antigo assessor jurídico da SAD do SL Benfica, teria acesso a informação sobre processos judiciais relacionados com o clube.

Já no ano passado, o hacker voltou a dar que falar por ter assumido a autoria do blog “Football Leaks”. A plataforma mostrava ao mundo documentos de vários clubes sobre transferências de jogadores e circulação de dinheiro através de offshores, lembra a mesma publicação. O escândalo de corrupção da FIFA, que levou à detenção de vários dirigentes e à saída de Josep Blatter, foi um dos casos que mais tinta fez correr.

Apesar de Rui Pinto apenas se ter apresentado como responsável pelo blog em 2019, a plataforma já existia desde 2015. Inicialmente, Rui Pinto publicava sob o pseudónimo “John”.

O currículo de Rui Pinto enquanto pirata informático inclui ainda a denúncia dos Malta Files. O português assumiu, também no ano passado, ser um dos responsáveis pela revelação que permitiu identificar 465 portugueses que se aproveitavam do regime fiscal de Malta para fugir à Autoridade Tributária.

Neste caso, o Twitter foi o canal escolhido para o anúncio, a 21 de Novembro: “De acordo com o último relatório de combate à fraude e evasão fiscal elaborado pela Autoridade Tributária, e citado pelo semanário Expresso na sua edição do passado sábado, foram desencadeadas acções de investigação tributária no âmbito de casos mediáticos como o Swiss Leaks, Malta Files e Panama Papers. Aproveito então para revelar que sou um dos denunciantes dos Malta Files!”

Recorde-se que este caso permitiu ao Fisco recuperar milhões de euros, com base em regularizações voluntários que ultrapassaram os 31 milhões de euros de rendimento colectável. Feitas as contas, o Estado conseguiu uma arrecadação efectiva de imposto superior a oito milhões de euros e juros compensatórios de cerca de 900 mil euros.

A lista de informações a que o hacker teve acesso e que terá na sua posse deverá ser, contudo, significativamente mais extensa. No despacho de acusação do Ministério Público, são referidos organismos públicos como ministérios da Justiça e Segurança Interna e entidades como Fidequity, Grupo Fosun, SL Benfica, FC Barcelona, Manchester United, Real Madrid, Inter de Milão, escritórios de advogados Vieira de Almeida, Abreu, PLMJ, Vaz Serra e Carlos Osório de Castro (advogado de Cristiano Ronaldo). Amadeu Guerra, ex-director do Departamento Central de Investigação Acção Penal, e o email da Procuradoria-geral da República também estão entre os alvos de Rui Pinto.

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