Europeus não gostam dos respetivos sistemas de saúde e portugueses são dos mais insatisfeitos, aponta estudo

Estudo resulta de um inquérito feito a 46 mil utentes de 23 países e foi apresentado esta segunda-feira em Roma, no relatório anual da farmacêutica alemã ‘STADA’, e conclui que há quatro anos seguidos que a satisfação diminui, com 2020 (74%) em destaque pela influência positiva da resposta dada à Covid-19

Francisco Laranjeira

Os europeus estão cada vez mais insatisfeitos com a assistência clínica, sendo este o pior ano desde 2020: só pouco mais de metade (56%) dos europeus estão satisfeitos com os sistemas de saúde dos seus países. Já em Portugal, apenas 49% dão nota positiva ao SNS (Serviço Nacional de Saúde), relata o jornal ‘Expresso’.

O estudo resulta de um inquérito feito a 46 mil utentes de 23 países e foi apresentado esta segunda-feira em Roma, no relatório anual da farmacêutica alemã ‘STADA’, e conclui que há quatro anos seguidos que a satisfação diminui, com 2020 (74%) em destaque pela influência positiva da resposta dada à Covid-19.



Entre as principais queixas estão as dificuldades de acesso (54%) e os cuidados inadequados (47%), apontando como soluções a formação na área de saúde aos governantes (48%) e melhores remunerações para os profissionais (47%), assim como as infraestruturas para desenvolverem a sua atividade.

Apesar de menos satisfeitos com o sistema, os europeus confiam cada vez mais (69%) na medicina convencional, nos médicos (63%), farmacêuticos (54%) e outros profissionais. Os portugueses revelaram-se os ‘mais desconfiados’, com 62%, quando os espanhóis, por exemplo, são dos que mais acreditam (82%) nas equipas clínicas, ficando apenas abaixo dos finlandeses (84%).

Os portugueses destacam-se pela negativa no que diz respeito ao autocuidado, muito distantes do país vizinho: Portugal está a menos de meio da tabela na adoção de comportamentos para a promoção da saúde.

É no plano da saúde mental que as respostas de 46 mil europeus fazem soar o alarme: de acordo com o estudo, 67% dizem-se felizes e os adultos jovens, dos 18 aos 34 anos, são os mais felizes (72%). No entanto, são estes mesmos jovens os que se sentem mais sós (63%).

Esta solidão, em particular nos jovens, deve-se ao trabalho excessivo e à falta de tempo para a vida social (23%), à perda de um familiar ou amigo (17%), ao facto de se trabalhar em casa e ter menos contacto com outras pessoas (13%) ou ainda ao tempo passado a ver televisão ou a jogar videojogos (13%). A maioria dos europeus (65%) garante que, apesar das dificuldades e do isolamento, gozam de uma boa saúde mental.

Os portugueses têm um diagnóstico antigo e constante de perturbações do foro psicológico, com números mais elevados de ansiedade ou depressão: quase metade dos portugueses (49%) confessam sentirem-se sós, ligeiramente mais do que os espanhóis.

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