Líderes empresariais concordam que a Europa precisa de menos burocracia e maior estabilidade política

Nos últimos anos, a Europa tem enfrentado desafios económicos significativos, agravados pelo aumento dos preços e pelas consequências da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Esses fatores têm alimentado o sentimento populista, que impulsionou a extrema-direita nas eleições para o Parlamento Europeu e levou o presidente francês, Emmanuel Macron, a convocar eleições nacionais antecipadas.

Executive Digest
Junho 19, 2024
10:15

Nos últimos anos, a Europa tem enfrentado desafios económicos significativos, agravados pelo aumento dos preços e pelas consequências da guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Esses fatores têm alimentado o sentimento populista, que impulsionou a extrema-direita nas eleições para o Parlamento Europeu e levou o presidente francês, Emmanuel Macron, a convocar eleições nacionais antecipadas.

O crescimento económico estagnado, juntamente com grandes oscilações nos custos da energia e a incerteza política, prejudicou a competitividade da Europa, especialmente quando comparada com a expansão dos EUA. Esta divergência tem criado preocupações entre os executivos, que classificam a instabilidade política como o segundo maior risco para o investimento, superado apenas pelo aumento da carga regulamentar.



A consultora EY (Ernst & Young) divulgou um relatório esta quarta-feira que destaca a necessidade urgente de a Europa promover maior estabilidade política, reduzir a burocracia e mitigar a volatilidade dos preços da energia para reverter a tendência de declínio no investimento estrangeiro. A análise é baseada numa pesquisa abrangente com mais de 500 líderes empresariais.

As eleições iminentes e o aumento do populismo e da polarização são vistos como ameaças significativas. As sondagens em França projetam que o partido de extrema-direita Reunião Nacional, liderado por Marine Le Pen, poderá liderar a votação de 30 de junho e 7 de julho, embora seja improvável que obtenha assentos suficientes para governar sozinho. Este cenário tem abalado os mercados financeiros, aumentando os custos dos empréstimos franceses devido ao receio de que um governo populista possa sobrecarregar os já limitados recursos financeiros do país.

A EY sublinha que, à medida que as tensões geopolíticas e comerciais globais se intensificam, os decisores políticos europeus precisam de estar preparados para responder de forma rápida e decisiva. “Cada Estado-Membro deve estar alinhado em áreas-chave, incluindo quais as indústrias que precisam de ser protegidas e onde residem as ameaças”, afirmou a consultora.

Para reduzir a volatilidade dos preços da energia, a EY recomenda investimentos em infraestruturas mais bem conectadas e a promoção de uma transição verde. A dependência excessiva da Rússia ao longo de décadas destacou a necessidade de diversificar as fontes de energia e melhorar a resiliência do sistema energético europeu.

No entanto, a burocracia é identificada como a maior ameaça global pelos executivos. A EY sugere que os decisores políticos europeus podem aliviar estas preocupações harmonizando a regulamentação, reconsiderando o ritmo de introdução de novas regras e revogando leis obsoletas sempre que possível.

 

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