Mau para o turismo? Agentes de viagens acreditam que novo Sistema de Entrada/Saída da UE vai ser adiado (outra vez)

O novo Sistema de Entrada/Saída (EES, na sigla original) da União Europeia, que tem sido adiado repetidamente, deverá entrar em vigor neste outono. No entanto, existe confusão e ceticismo entre os operadores turísticos sobre o funcionamento do novo esquema, considerado por alguns como ‘mau para o turismo’, pelo que há receios de que volte a ver a entrada em vigor adiada.

Pedro Gonçalves

O novo Sistema de Entrada/Saída (EES, na sigla original) da União Europeia, que tem sido adiado repetidamente, deverá entrar em vigor neste outono. No entanto, existe confusão e ceticismo entre os operadores turísticos sobre o funcionamento do novo esquema, considerado por alguns como ‘mau para o turismo’, pelo que há receios de que volte a ver a entrada em vigor adiada.

De acordo com a associação de agentes de viagens ABTA, a data exata de lançamento do EES ainda não foi confirmada, apesar de estar previsto para 5 de outubro de 2024. Esta incerteza tem gerado dúvidas e preocupações entre os profissionais do setor turístico.



Noel Josephides, presidente da agência de viagens britânica Sunvil, afirma à Euronews que não estão a fornecer aconselhamento aos clientes devido às dúvidas sobre a implementação do sistema. “Estamos à espera para ver se o esquema realmente avança”, comenta Josephides, acrescentando que um cliente manifestou frustração com as novas regulamentações e afirmou que não voltaria a viajar para a Europa.

Josephides acredita que o aumento da burocracia irá dificultar a liberdade de viagem, desmotivando as pessoas a visitar a Europa e menciona os atrasos provocados pelos Jogos Olímpicos como prova de que o sistema será disruptivo para os viajantes. “Sempre que lançarem o sistema, será mau para o turismo e complicará as viagens. Caso contrário, a França teria aceitado a sua introdução antes dos Jogos Olímpicos deste verão”, afirmou.

A implementação do EES em portos e aeroportos tem levantado preocupações. Em abril, a P&O Ferries expressou preocupações sobre a aplicação do sistema no Porto de Dover, no Reino Unido. Jack Steer, Diretor de Operações Europeias da empresa, destacou que o EES foi desenhado para passageiros pedestres em aeroportos e não é adequado para um ambiente portuário. Ele alertou que a separação de passageiros e tráfego de mercadorias para processamento no porto é impossível, o que resultará em “sérias perturbações”.

Para as viagens de ferry a partir do Porto de Dover e para os comboios internacionais, os controlos do EES serão realizados durante o controlo de passaportes no Reino Unido, devido às fronteiras britânico-francesas duplas nesses locais. As preocupações com os atrasos no porto contribuíram para o último adiamento do lançamento, permitindo ao Porto de Dover implementar novos sistemas de processamento para carros e autocarros, incluindo quiosques e áreas de espera fora do porto para reduzir as filas na fronteira.

Colaboração Internacional
Um porta-voz do Departamento de Transportes do Reino Unido (DfT) disse à Euronews Travel que o governo britânico está a trabalhar de perto com a Comissão Europeia, estados membros, autoridades locais no Reino Unido e a indústria para minimizar qualquer perturbação nos planos de viagem das pessoas. “Isso inclui trabalhar de perto com portos, transportadores e a indústria de viagens para garantir que estão preparados e equipados para comunicar as mudanças e qualquer impacto potencial que possa ter nos planos de viagem das pessoas”, afirmou o porta-voz.

Impactos nos transportes
A Eurostar está a expandir a sua base em Londres, na estação St Pancras, para incluir mais quiosques para processar dados do EES. Com os bilhetes de comboio frequentemente mais baratos quando comprados com antecedência, os passageiros já estão preocupados com o impacto do EES nas suas viagens.

A empresa de viagens sem voos Byway tem recebido perguntas de clientes sobre a implementação do esquema, a necessidade de vistos e a documentação necessária. Cat Jones, CEO e fundadora da Byway, explicou que o planeamento de viagens sem voos pode ser complexo e que muitos sistemas são desenvolvidos com foco no transporte aéreo, dificultando a obtenção de informações específicas para viagens de comboio. Um cliente já manifestou interesse em voltar a reservar com a empresa para obter ajuda na navegação pelo novo sistema.

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