Conviver diariamente com um pai ou mãe já falecido? Tecnologia de IA que permite transformar um ente querido num chatbot ou avatar está a ganhar asas

O uso da IA ​​para trazer artificialmente as pessoas de volta à vida tem sido explorado há muito tempo na ficção científica, mas os desenvolvimentos desta tecnologia permitiram transportar para a vida real

Francisco Laranjeira

Em 2016, James Vlahos recebe notícias terríveis: o seu pai vê ser diagnosticado cancro terminal. Fica determinado a aproveitar ao máximo o tempo que lhe restava em conjunto. “Fiz um projeto de história oral com ele, onde passei horas e horas a gravar em áudio a história da sua vida”, relata o morador de Oakland, na Califórnia.

James estava, nessa altura, a começar a explorar uma carreira em IA, pelo que somou as peças do ‘puzzle’. “Pensei, meu Deus, e se pudesse fazer algo interativo com isso?”, refere, citado pelos britânicos da ‘BBC’. “Para manter as suas memórias mais ricas e algum senso da sua personalidade, que era tão maravilhosa, para manter isso por perto.”



O pai de James, John, viria a falecer em 2017, mas não sem antes James transformar o que gravou num chatbot com tecnologia IA (Inteligência Artificial) que poderia responder a perguntas sobre a vida do seu pai – com a voz do seu pai.

O uso da IA ​​para trazer artificialmente as pessoas de volta à vida tem sido explorado há muito tempo na ficção científica, mas os desenvolvimentos desta tecnologia permitiram transportar para a vida real: em 2019, James transformou o seu chatbot numa aplicação e num negócio chamado ‘HereafterAI’, que permite aos utilizadores fazer o mesmo pelos seus entes queridos. Para James, embora o chatbot não tenha eliminado a dor pela morte do pai, dá-lhe “mais do que teria de outra forma”. “Não é ele que se está a refugiar nesta memória muito confusa. Tenho este maravilhoso compêndio interativo ao qual posso recorrer.”

Os utilizadores da ‘HearafterAI’ podem fazer upload de fotos dos seus entes queridos para que apareçam no ecrã dos seus smartphones ou computadores quando usarem a aplicação, mas na Coreia do Sul vai-se mais além: o ‘DeepBrain AI’ cria um avatar de uma pessoa baseado em vídeo, depois de horas de vídeo e áudio para capturar o rosto, a voz e os maneirismos.

“Estamos a ‘clonar’ a semelhança de pessoa para 96,5% da semelhança da pessoa original”, explica Michael Jung, diretor financeiro da ‘DeepBrain’. “Portanto, principalmente a família não se sente desconfortável ao conversar com o membro falecido da família, mesmo que seja um avatar de IA.” De acordo com a empresa, a tecnologia pode ser parte importante do desenvolvimento de uma cultura de “morrer bem” – onde nos preparamos para a nossa morte com antecedência, deixando histórias e memórias familiares em forma de “legado vivo”.

No entanto, o processo não é barato: para criar o avatar, terão de pagar à empresa até 50 mil dólares (cerca de 46 mil euros) pelo processo de filmagem e pela criação do seu avatar. Apesar do alto custo, há investidores confiantes de que se tornará popular – a ‘DeepBrain’ levantou 44 milhões de dólares na sua última rodada de financiamento.

Mas há um senão, de acordo com a psicóloga Laverne Antrobus, que destaca que se deve ter muito cuidado ao usar essa “tecnologia de luto” em momentos de emoção intensa. “A perda é algo que nos surpreende”, sustenta. “Pode-se pensar que está perto de ficar bem, então algo pode levá-lo de volta. A ideia de que se pode ter a oportunidade de ouvir a voz deles e ouvir as palavras ditas através deles pode ser bastante desconcertante.”

Antrobus adverte ainda que não há substituto para o apoio humano quando se trata de superar o luto. “Não consigo imaginar um lugar onde a tecnologia assuma o controlo dos aspetos mais tradicionais do luto, que envolvem sentir-se próximo das pessoas, sentir-se cuidado, sentir-se apreciado.”

O setor de tecnologia do luto, também conhecido como “tecnologia da morte”, está agora avaliado em mais de 100 mil milhões de libras (cerca de 116,45 mil milhões de euros) em todo o mundo, de acordo com o site ‘TechRound’ – um crescimento que foi impulsionado pela pandemia da Covid-19, explica David Soffer, editor-chefe da publicação.

“O que a Covid fez foi destacar para as pessoas a importância da vida”, refere, sublinhando que ajudou a quebrar alguns dos tabus sobre o falar sobre a morte. Isso, por sua vez, levou-nos a aceitar cada vez mais a tecnologia como parte do processo de luto. “Quando a tecnologia evolui para resolver problemas tecnológicos, isso é bom”, refere. “Mas quando ajuda a resolver problemas não tecnológicos, como o processo de luto, esse é o verdadeiro propósito da tecnologia.”

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Volvo ES90 – A ascensão da serenidade sueca no paradigma do luxo elétrico A indústria automóvel vive hoje um momento de inovação tecnológica e de disrupção onde a potência bruta é frequentemente utilizada mas não mostra a verdadeira alma/essência de um automóvel Contudo ao sentar-me ao volante o novo Volvo ES90 percebi de imediato que não estamos perante mais um sedan elétrico mas sim uma nova filosofia de automóvel Este é para mim um dos melhores Volvo já fabricados e talvez dos mais bonitos, o que é difícil dizer porque sempre os considerei todos eles muito elegantes. A marca conseguiu manter a verdadeira essência do minimalismo e rigor/luxo discreto, mas elevando-o a uma experiência sensorial sem precedentes, onde o rigor construtivo e o conforto – absurdo é mesma palavra – dita as regras. O Volvo ES90 pertence ao segmento E- Premium e trata-se de modelo “hibrido” pois está posicionado acima das segmentações tradicionais, e trata‑se de um fastback mas com alma de SUV. Desafia também as convenções volumétricas pois tem 4,99 m de comprimento, mas um coeficiente aerodinâmico de apenas 0,25, Trata-se de um modelo desenhado sobre a batuta da equipa de design da Volvo em Gotemburgo mas respira ADN escandinavo Os faróis martelo de Thor evoluíram para uma assinatura digital pixelizada enquanto a traseira apresenta uma porta de abertura ampla sublinhando a versatilidade. Foi exaustivamente testado na Suécia enfrentando condições de frio extremo para garantir que a dinâmica de condução e a gestão térmica da bateria são infalíveis. Testei a unidade com tração integral Twin Motor que revelou um comportamento de exceção. A plataforma SPA2, a mesma do EX90, confere uma rigidez estrutural que há muito não se via no segmento. Nas estradas portuguesas, entre o empedrado cidadino, estradas de terra batida, AE para Évora e as nacionais, vejo que o ES90 isola os ocupantes de forma magistral (até o teto de abrir escurece). A suspensão pneumática com tecnologia ativa adapta-se em milissegundos eliminando qualquer vibração O espaço interior é o habitual, ou seja, muito amplo, minimalista mas de um conforto e desenho discretos. A experiência é de um silêncio absoluto sendo que a Volvo afirma ser o habitáculo mais silencioso de sempre da marca, graças ao uso extensivo de materiais de isolamento acústico e vidros laminados duplos de série. A ergonomia dos bancos segue o habitual da marca com a certificação ortopédica e redefina o que esperamos de uma viagem de longo curso. Mas o ES90 não é simplesmente um automóvel, mas também um computador sobre rodas equipado com um sistema de computação central e com vários processadores Nvidia onde a capacidade de processamento inteligência artificial é oito vezes superior aos modelos anteriores. Através dos sensores lidar e dos radares da última geração, cria-se um escudo de 360° detectando objetos a 250 m mesmo em escuridão total. O sistema de infotainment com inteligência artificial da Google permite um controlo por voz natural e uma personalização preditiva de rotas baseada nos hábitos do condutor. O ecrã central é hoje muito mais intuitivo e apresenta vários modos de condução e os habituais comandos de voz natural e da afinação dos espelhos etc. As baterias também estão associadas a algoritmos de inteligência artificial para otimizar a saúde da mesma, permitindo carregamentos mais rápidos mas sem degradar as células. Este modelo é fabricado na unidade de última geração da Volvo que tal como a marca preconiza utiliza energia 100% energia renovável As baterias desenvolvidas com as melhores marcas, da CATL à Northvolt possuem uma capacidade líquida até 106 kW na versão ultra. A grande inovação reside aqui no sistema elétrico de 800 wattts, que é uma estreia na marca e que permite recuperar 300 km em apenas 10 minutos As células têm também uma vantagem pois utilizam uma química de baixo teor de cobalto (caro, volátil em preço, associado a riscos na cadeia de abastecimento e frequentemente ligado a preocupações éticas na sua extração) Muito importante é o passaporte da bateria recorre a blockchain para garantir a reestabilidade total dos materiais. Já falamos do luxo do minimalismo, da qualidade de construção e dos materiais, de um bem-estar a bordo que convida alongas viagens num conforto sem precedentes e um comportamento demasiado preciso. E é isso mesmo que este Volvo transmite para o cliente que valoriza o estatuto mas sem ostentação; o executivo ou aquela família que procura segurança máxima e sustentabilidade real. Concorre com os BMW e a Mercedes e o Audi, contudo pela sua versatibilidade e altura posiciona-se numa zona cinzenta de conforto superior que o torna único. Temos finalmente ao rival à altura das marcas premium mais conceituadas. O Volvo está disponível em três versões com preço a partir dos 72.945 para particulares ou 55.000 mais IVA para as empresas. Possui uma autonomia até 700 km na versão single Motor extended range e a potência pode ir até aos 680 cavalos Twin Motor Performance. “O ES90 representa a nossa abordagem holística à sustentabilidade e à segurança, sendo o sedan mais avançado que alguma vez concebemos.” — Vanessa Butani, Head of Global Sustainability da Volvo Cars. “Com o ES90, elevamos o padrão do que uma berlina de luxo deve ser na era elétrica: equilibrada, inteligente e profundamente humana.” — Jim Rowan, CEO da Volvo Cars.

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