Grupo islâmico utiliza crianças-soldado em ataques em Moçambique, acusam agências humanitárias

O Al-Shabab, afiliado ao grupo Estado Islâmico, já foi acusado por agências da ONU de sequestrar crianças e usá-las como soldados na sua insurgência na região, que começou em 2017

Francisco Laranjeira

Um grupo islâmico que opera na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, utilizou crianças com apenas 13 anos em ataques a uma cidade na semana passada: os moradores, forçados a fugir dos combates, reconheceram algumas das crianças-soldados como seus familiares, acusa o grupo de defesa ‘Human Rights Watch’.

O Al-Shabab, afiliado ao grupo Estado Islâmico, já foi acusado por agências da ONU de sequestrar crianças e usá-las como soldados na sua insurgência na região, que começou em 2017 – uma onda de ataques em março último deixou pelo menos 70 crianças desaparecidas, denunciaram as autoridades locais e as agências humanitárias.



De acordo com diversas testemunhas, dezenas de crianças-soldados foram usadas nos ataques e foram vistas a carregar espingardas de assalto estilo AK e cintos de munição – duas pessoas da mesma família disseram ter reconhecido o sobrinho de 13 anos entre os atacantes. “Vi-o com os meus próprios olhos”, garante Abu Rachide à ‘Human Rights Watch’, lembrando que a criança acenou-lhe, mas continuou a marchar.

Os últimos ataques à vila de Macomia começaram na passada sexta-feira e prolongaram-se até ao dia seguinte: os combatentes islâmicos saquearam lojas e armazéns em busca de alimentos e trocaram tiros com soldados moçambicanos e sul-africanos antes de recuar, afirmaram a HRW e a imprensa moçambicana.

Pelo menos 10 pessoas, a maioria soldados, teriam sido mortas nos últimos combates e cerca de 700 residentes fugiram para florestas próximas para escapar, de acordo com o relatório da HRW.

A África do Sul enviou soldados para Cabo Delgado como parte de uma força regional para conter a insurgência, que começou em 2017. Em 2020, os combatentes islâmicos decapitaram dezenas de pessoas, muitas delas crianças, à medida que a violência aumentava. Após um período de relativa inatividade, os insurgentes lançaram uma nova onda de ataques este ano.

De acordo com as agências humanitárias, o conflito forçou mais de um milhão de pessoas a fugir das suas casas desde o início, em outubro de 2017, com milhares de pessoas mortas.

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