Um em cada cinco senhorios não atualizaram as rendas em 6,94% em 2024

No início de 2024, mais de dois em cada 10 proprietários não fizeram a atualização anual de renda de 2024 pelo coeficiente legal de 6,94%.

André Manuel Mendes

No início de 2024, mais de dois em cada 10 proprietários não fizeram a atualização anual de renda de 2024 pelo coeficiente legal de 6,94%.

De acordo com a VII edição do Barómetro “Confiança dos Proprietários” da ALP – Associação Lisbonense de Proprietários, foram 21,4% os proprietários que não realizaram este aumento permitido pela Lei.

Os dados mostram que cerca de um terço dos respondentes não o fez porque tem contratualizado por mútuo acordo outro coeficiente anual no contrato de arrendamento, e 14% preferiram atualizar a renda noutro valor percentual, por entender que o coeficiente apurado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para 2024 poderia colocar os seus inquilinos em incumprimento.

Já 10% mantiveram a renda inalterada por considerar que qualquer aumento que fosse seria incomportável para os agregados de arrendatários, enquanto 9% decidiram não fazer nenhum aumento por terem atualmente um rendimento que lhes permite ter uma vida confortável, sem necessidade de retirar poder de compra aos inquilinos.

Apesar destes números, o valor do incumprimento tem-se mantido alto ao longo das sete edições do Barómetro da ALP, com atualmente 23,6% a ter incumprimento do pagamento de rendas pelos seus inquilinos.

Continue a ler após a publicidade

Mais de metade dos inquiridos (56,4%) suportam atualmente contratos de arrendamento anteriores a 1990 (“rendas congeladas”). Destes contratos, a maioria (56,9%) aufere rendas até 150 euros mensais. Mais de 20 em cada 100 proprietários com rendas congeladas da amostra recebem entre 50 e 100 euros de renda nos contratos de arrendamento “congelados”.

Os dados do Barómetro da ALP mostram ainda que 9% dos inquiridos afirmam ter vendido imóveis que estavam afetos ao arrendamento tradicional, e 6% transferiram imóveis que estavam colocados no arrendamento tradicional para o arrendamento de curta duração.

No que respeita à visão de mercado, metade (50%) acham que o imobiliário e arrendamento é um mercado com margens cada vez menos atrativas, 43% considera que o imobiliário e arrendamento são mercados burocráticos e difíceis de entender, 29% considera que é um investimento que exige custos operacionais excessivos, mas ainda assim, para quase um quarto dos respondentes (24%), é um mercado rentável e seguro para investir.

Continue a ler após a publicidade

“As primeiras semanas e meses da nova legislatura vão ser determinantes para entregar sinais inequívocos aos proprietários de imóveis que o Estado voltou a ser uma pessoa de bem. O fim do congelamento das rendas deve ser a medida prioritária, pelo seu simbolismo, para a retoma da confiança dos proprietários de imóveis. Está quantificado por um organismo independente do Estado o quanto lesa anualmente os senhorios privados, que não têm qualquer obrigação de assegurar uma função social que só compete ao Estado”, refere Luís Menezes Leitão, Presidente da ALP.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.