“Não há razão que não nos encontremos noutras encruzilhadas a pensar em Portugal”: Marcelo não fecha a porta ao futuro político de Costa

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, “a solidariedade institucional funcionou, com três Governos. Não é fácil encontrar muitos casos na história política portuguesa”

Francisco Laranjeira

Marcelo Rebelo de Sousa fez questão de agradecer a António Costa os “oito anos de solidariedade nacional” no final do Conselho de Ministros, ao qual teve ocasião de presidir.

“O que importa é o gesto. E disse lá dentro e digo cá fora: ‘O gesto porque o nosso sistema de Governo é de um equilíbrio muito difícil, concebido no meio da revolução para equilibrar o poder presidencial e o Governo, que tem em si mesmo uma génese nas eleições parlamentares”, precisou o Presidente da República.

“O equilíbrio que teve como protagonistas cimeiros o Presidente da República e do primeiro-ministro. Varia de acordo com o tipo de Governos, e houve vários tipos de relacionamento”, indicou.

“Tendo vivido estes 8 anos, e perante um sistema que não é fácil, exige solidariedade institucional, acima das suas posições políticas e colocar acima disso as relações entre instituições”, referiu Marcelo. “O relacionamento diário, todo os dias quando há uma crise, guerras, pandemia, crises económicas. Todos os dias há problemas que supõem o diálogo institucional.”

De acordo com Marcelo Rebelo de Sousa, “a solidariedade institucional funcionou, com três Governos. Não é fácil encontrar muitos casos na história política portuguesa”. “Não houve sempre acordo, mas houve sempre solidariedade nacional em momentos cruciais. E isso é muito positivo. Deve ser assim o relacionamento entre Presidente e primeiro-ministro, mesmo que tenham pontos de partida e pensamentos diferentes”.

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“É importante que tenha acontecido de uma forma que permitiu um clima de estabilidade quando o mundo não está estável”, frisou Marcelo.

O futuro político de António Costa foi também abordado na mensagem do Presidente. “Não quer dizer que seja a última vez que nos encontremos, nestas encruzilhadas no serviço de Portugal. É última vez nestas circunstâncias, mas o mundo não acaba hoje. Estamos vivos, de plena saúde, não há razão para não nos encontrarmos noutras encruzilhadas pensando em Portugal”, concluiu.

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