Alunos sem computadores, equipamentos avariados e queixas sobre rede WiFi: diretores defendem regresso ao papel nos exames nacionais do 9º ano

Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), salientou as múltiplas queixas dos estudantes

Revista de Imprensa

Os professores defendem um “passo atrás” nos exames nacionais digitais do 9º ano: isto porque há alunos sem computadores, ou com equipamentos avariados, assim como queixas sobre a rede WiFi das escolas. Isso mesmo foi defendido por Filinto Lima, presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), em declarações ao ‘Diário de Notícias’.

“Se houvesse tempo para voltar ao papel, valeria a pena dar um passo atrás de forma a garantir a equidade entre os alunos”, garantiu, salientando que há estudantes em desvantagem para as avaliações finais de Matemática e Português. “Alguns têm computador desde o início do ano e estão a treinar diariamente e outros ainda não têm PC. Esses, estão tecnicamente menos preparados em relação aos colegas”, frisou.

“Cada dia que passa a preocupação aumenta porque ainda não há solução para este problema. Acaba por ser um fator acrescido de stress para os alunos e muitos precisam de ter sucesso nos exames para passar de ano. É preciso não esquecer que as provas de 9º ano não são provas de aferição e têm ponderação na avaliação final das disciplinas”, referiu Filinto Lima, salientando que faltam “cerca de três meses dos exames”.

Também Arlindo Ferreira, diretor do agrupamento de Escolas Cego do Maio, não escondeu as suas preocupações. “Não estão garantidas as condições para a aplicação dos exames em formato digital”, garantiu, indicando que no seu agrupamento faltam 60 computadores. A principal preocupação está a prova de Matemática, por ser “a mais complexa para ser feita sem treino de forma digital”.

Já Sandra Nobre, da Associação de Professores de Matemática (APM), defendeu o cancelamento dos exames em suporte digital. “A minha posição é que não deveria haver provas em formato digital. Em muitas escolas não correu nada bem. A plataforma que é usada não está livre a 100% para os professores a poderem usar e testar com os alunos antes dos exames”, explicou, salientando que, a estes fatores de risco, deve-se aliar o “mau funcionamento da internet e aos bloqueios da aplicação”.

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