Ativistas pelo clima ‘transformam’ campo de golfe de Oeiras em horta urbana

Grupo de seis elementos entrou no local com enxadas e procedeu a cavar o relvado, para plantar legumes e árvores.

Pedro Zagacho Gonçalves

Seis apoiantes do grupo ativista Climáximo, invadiu esta quarta-feira o campo de golfe de Oeiras e levou a cabo uma ‘transformação’ do espaço, para que se tornasse numa hora comunitária.

Munidos com “enxadas e dezenas de legumes e árvores”, para serem plantados nos amplos relvados do campo de golfe, e com recurso às ferramentas agrícolas, os seis jovens ativistas começaram a abrir buracos no local.

“Os ativistas plantaram uma variedade de espécies hortícolas e árvores autóctones, mostrando como, ‘com as nossas próprias mãos’, as pessoas podem ‘construir um mundo em função dos interesses e necessidades reais, travar consumos criminosos e desajustados por parte dos super-ricos, e dar novos propósitos a locais que atualmente são de acesso restrito para as elites que mais culpadas são pela crise climática'”, indica o Climáximo em comunicado, destacando que regar campos de golfe em plena crise climática, e com protestos pela falta de água “é um crime”.

“Estamos no 10º mês seguido mais quente de sempre, enfrentamos seca de terrenos agrícolas e florestais e o esvaziamento de barragens, rios e charcos, deixando em aflição centenas de agricultores por todo o país, com protestos há menos de 1 semana no Algarve. As elites do capitalismo seguem as suas vidas normais e contribuem de forma desproporcional para o agravamento da seca que se faz sentir. As elites que usufruem deste tipo de lazer são as mesmas que apresentam níveis e padrões de consumo que comportam emissões de gases com efeito de estufa de intensidade abismal, comparadas com a grande maioria da população – os 10% mais ricos produzem metade das emissões de CO2, a nível global e também dentro dum país” explica Leonor Canadas, explica Leonor Canadas, porta-voz do Climáximo.

O grupo sustenta que “tanto o governo atual como o próximo têm planos para garantir o colapso climático” e apela que a população se mobilize para travar a crise climática. “O coletivo chama todas as pessoas para não consentirem com a guerra atual contra as vidas e entrarem em resistência climática”, termina o comunicado.

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