“Situação ainda está fora de controlo”: Casas na Mouraria continuam sobrelotadas, denuncia junta

Foi há um ano que um incêndio num edifício na Rua do Terreirinho, na Mouraria, no rés-do-chão, matou duas pessoas de nacionalidade indiana e feriu outras 14, deixando a descoberto as condições de vida no local, onde se amontoavam colchões e beliches, sem condições mínimas para acolher as 24 pessoas que ali vivam.

Executive Digest

Foi há um ano que um incêndio num edifício na Rua do Terreirinho, na Mouraria, no rés-do-chão, matou duas pessoas de nacionalidade indiana e feriu outras 14, deixando a descoberto as condições de vida no local, onde se amontoavam colchões e beliches, sem condições mínimas para acolher as 24 pessoas que ali vivam.

A população relata à Renascença que nada mudou desde então. “Até lhe vou dizer uma coisa: há casas onde eles estão uns à espera dos outros. Uns levantam-se à meia-noite e outros entram. É por turnos. Aquilo é colchões que nunca mais acaba”, diz uma peixeira que vive na Mouraria há 74 anos.



Outros moradores relatam grande pressão imobiliária para venderem as casas, e há senhorios que passaram a cobrar “1200 ou 2 mil euros de renda”, que os portugueses não conseguem pagar e os imigrantes só conseguem “porque vivem 20 ou 30 em cada casa”.

O presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior diz à mesma rádio que, desde o incêndio mortal, nada foi feito pelas autoridades para “controlar” a situação de sobrelotação das habitações e relata que “não houve alterações substanciais”.

“Alertámos a Câmara e a Proteção Civil dos riscos que aqui havia. Pedimos que fizessem uma avaliação das condições de habitabilidade destas casas, porque nós, Junta, não temos nenhuma competência legal nem autoridade para entrar em casa das pessoas, a não ser sejamos convidados. E não tenho notícia de que isso tenha sido feito”, lamenta referindo que a situação “ainda está fora de controlo total”.

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